Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Guerra (Carlos Pinhão)

Pieter Brueghel, o Velho


Guerra

Num ano qualquer,
houve uma batalha qualquer,
numa terra qualquer,
entre um rei qualquer e outro rei
qualquer.
No fim, um anjo qualquer
desceu no campo de batalha,
pegou nos cadáveres do rei qualquer
e do rei qualquer
e perguntou
para um deus qualquer:
Qual quer?

Carlos Pinhão



sexta-feira, 26 de abril de 2013

Rajada de 4 tiros (Henricartoon)


Humor feito por um português, Henrique Monteiro,  Henricartoon, para a derrota de uma grande equipa espanhola. Ah, pelo sim pelo não, eu não sou do Barcelona nem de nenhuma outra equipa. Não gosto de futebol)


O jogo visto pelo jornal português Diário de Notícias:

 Lewandowski 'aniquilou' Real Madrid


E aqui, o Brasil:

Equipe alemã goleou o Real Madrid por 4 a 1 na primeira semifinal da Liga dos Campeões

Clique e arraste a foto para conferir por todos os ângulos a festa da torcida do Borussia Dortmund antes do apito inicial para o duelo contra o Real Madrid, realizado na quarta-feira, pelas semifinais da Liga dos Campeões da Europa.


Aceita?






quinta-feira, 25 de abril de 2013

O 25 de Abril na imprensa de hoje

Capa da edição impressa do diário Público (25-4-2013)


Como é que os jovens portugueses de hoje veem o 25 de Abril? E mais novos ainda, por exemplo, alunos do 9º ano (como o nosso 3º de ESO)? Vamos ver.


Em primeiro lugar, um vídeo do jornal Público onde podemos assistir ao depoimento de alguns jovens portugueses sobre aquela data.


O P3 quis saber o que os jovens pensam e sabem da revolução dos cravos e que histórias já contadas nos podiam recontar. Aqui estão algumas: a de um bisavô cego que distribuía panfletos anti-regime e a de um irmão nascido na escassez, que o 25 de Abril alimentou. Falamos com o estudante universitário, com o músico, com quem trabalha no mercado do Bolhão, com quem vai correr ao parque e com quem se orgulha de poder ler um jornal sem visto prévio. O 25 de Abril é de todos eles; é de todos nós. A.P. e J.B



Também esta reportagem do mesmo diário Público:


Eles conhecem os símbolos do 25 de Abril mas confundem os factos

Cravos, liberdade e Grândola, vila morena... O PÚBLICO pediu a 84 alunos do 9.º ano que definissem o que sabiam sobre esta data. Do povo falaram muitos, de Salazar, alguns, da Guerra Colonial, muito poucos.


Três turmas de 9.º ano aceitaram dizer ao PÚBLICO o significado do 25 de Abril de 1974. Sem aviso prévio e sabendo-se de antemão que este tema do programa ainda não tinha sido dado nas aulas, desafiaram-se alunos da Escola Secundária de Bocage, em Setúbal, e da Escola Secundária da Cidadela, em Cascais, a, em 15 minutos, escreverem o que sabiam sobre a data que se assinala nesta quinta-feira. Contou-se com a ajuda da professora Nazaré Oliveira e do professor Paulino Spínola, ambos a leccionar História. Ela há 27 anos, ele há 38.

“No 25 de Abril, o regime ditatorial foi derrubado e substituído pelo regime democrático. Após o 25 de Abril, a Junta de Salvação Nacional tomou algumas medidas: extinção da polícia política, abolição da censura, libertação de todos os presos políticos e permissão do regresso dos exilados”, Duarte (E.S. de Bocage)

“Eles têm uma ideia e a maior parte das vezes não é errada, mas há deficiências de pormenor. E alguns alunos são um pouco ‘trapalhões’”, diz Nazaré Oliveira, enquanto vai mostrando os textos escritos pelos alunos de Setúbal. Choca-a principalmente as poucas referências à Guerra Colonial. "Não têm em conta o que é mais importante para mim, que é a Guerra Colonial. Sou uma jovem ‘culturalmente feita em África’. Vim de Moçambique em Julho de 1974.” Veio para passar férias com os avós, e os pais já não a deixaram voltar.

“Depois começou a guerra civil lá, em Lourenço Marques (actual Maputo). Já não pude ir. Fiquei triste, perdi os meus amigos.” Estava no antigo 6.º ano, vinha de um bom colégio em Moçambique e agora tinha de se adaptar ao Porto, “muito provincianismo, parecer mal usar calções ou ir ao café”.

Disse numa aula de Moral e Religião: “Não estou surpreendida com a revolução porque mais tarde ou mais cedo os povos têm direito à sua independência. O que eu fui dizer…”, conta. E elogia o professor, que era padre e se tornou bispo, D. Joaquim. “Só ele é que entendeu. E vi que os meus colegas não tinham bagagem nenhuma.” Mas não admite que hoje os jovens saibam tão pouco sobre o assunto.

“Foi neste dia que ocorreu a revolução que mandava abaixo o regime salazarista e onde seria implantada a República. Um marco importante na História de Portugal”, Maria (E.S. de Bocage)

“Estamos a sentir uma certa iliteracia cultural e histórica. Porque os programas de ensino não estão bem feitos e porque os pais não falam com os filhos sobre estas questões”, diz a professora, e pergunta que pais são estes. “Com filhos destas idades, os pais terão entre 45 e 55 anos. O que é que se passa com eles, que não falam aos filhos do significado da Grândola, vila morena? Que não explicam por que é que o 25 de Abril é feriado? Que não falam com os filhos quando há determinados incidentes, como o da bandeira nacional ao contrário? Porque não se aproveita pequenos momentos do dia-a-dia para fazer desse mesmo dia um dia didáctico, de forma aligeirada mas transmitindo conhecimentos? Um exercício de pedagogia activa?”

“O 25 de Abril foi a queda do Estado Novo. Antes do 25 de Abril havia um grande descontentamento em Portugal. Nesse dia, houve uma grande revolução que foi um êxito. O povo distribuiu cravos vermelhos pelos soldados, que os colocaram no tubo das espingardas”, Marta (E.S. da Cidadela)

O professor Paulino Spínola, da Escola Secundária da Cidadela, lembra que “os miúdos só falam desta matéria no 6.º ano, quando têm 11/12 anos” e “não sentem que o assunto tenha que ver com eles, não se interessam, acham que não lhes diz respeito, habituaram-se a viver em liberdade”.

Ficou bem impressionado com “a quantidade de palavras que os alunos escreveram” em resposta à pergunta do PÚBLICO. “Sobretudo porque alguns se mostraram bastante surpreendidos com a situação, já que nesta altura as suas preocupações se centram nos testes intermédios.” Mas houve quem achasse que 15 minutos era pouco tempo para o que queriam dizer.

“Vejo alguns alunos extremamente interessados. Percebe-se que os pais aproveitam esse interesse e estimulam a investigação e sentido crítico. Vê-se perfeitamente quando essas práticas vêm da família”, diz o professor, cujo apelido, Spínola, é muitas vezes pretexto para se falar do 25 de Abril. “Perguntam sempre se sou da família de António de Spínola.” Mas nunca desvenda aos alunos se tem alguma ligação familiar ao primeiro Presidente da República depois da revolução de 1974. Ao PÚBLICO também não.

“O 25 de Abril para mim é um feriado, em que no ano de 1974, nesse dia, a ditadura salazarista acabou, a população portuguesa saiu à rua e cantou Grândola, vila morena, de Zeca Afonso, para restaurar o direito à liberdade em Portugal. Para parar as tropas, as crianças meteram cravos nas armas dos soldados (…)”, Sebastião (E.S. da Cidadela)

Para este professor, “a Revolução dos Cravos que todos apontam parece ser uma ‘revolução romântica’, e da ‘revolução’ cada vez mais ficam os ‘cravos’ e a Grândola, vila morena”. Da leitura dos textos escritos pelos seus alunos fixou-se no que escreveram dois jovens, João e Guilherme: “Sei que não lhes é possível comparar o antes e o depois, mas expressam o que se pode inferir do sentir do meio familiar.”
O João diz que “existem muitas pessoas que não consideram esta data como um motivo de celebração, mas de luto”; o Guilherme “apercebe-se e sabe que o 25 de Abril foi de mudança, mas o ‘espero que tenha sido para melhor’ e o facto de voltar a insistir ‘é óbvio que neste sentido [da(s) liberdade(s)] é uma mudança para melhor, mas será que noutras é melhor?’ denota sombras, não digo no horizonte, porque está longínquo, mas já, no seu dia-a-dia. E estes sentires do 25 de Abril preocupam-me”, diz Paulino Spínola.

“O 25 de Abril de 1974 foi, na minha opinião, uma revolução que teve início ao som da música de Zeca Afonso. Chamada a Revolução dos Cravos, esta foi para a liberdade [libertação] dos portugueses a [da] ditadura militar de António O. Salazar”, Tomás (E.S. da Cidadela).

Nazaré Oliveira defende que o ensino da História deveria ir até ao 12.º ano em todas áreas: “Já disse isto ao ministro da Educação.” Para esta docente, “do ponto de vista curricular, há uma grande protecção dos alunos em relação às novas tecnologias”. Admite que fazem falta mas afirma: “Estou a ver o meu país cada vez mais à deriva sob o ponto de vista cultural. Há um certo analfabetismo cultural em relação a acontecimentos históricos que são fundamentais.”

Os manuais são também alvo de crítica: “Podiam ser organizados de maneira muito mais interessante. Seleccionavam-se as etapas da História consentâneas com as aprendizagens da opção do jovem. Por exemplo, os alunos de Economia poderiam ter um programa específico à volta desses temas.” E recorda um artigo, que pensa ter lido no jornal Globo, que dizia que, “se os estudantes de Economia soubessem mais História, provavelmente não teríamos caído em situações que temos caído”. Refere-se aos “anos 1930, aos anos 1970 e agora”.

E não entende como o tema 'Portugal: do autoritarismo à democracia' é o último do programa e do livro, “o que o desvaloriza”. Por sugestão do PÚBLICO, Nazaré Oliveira faz a contagem de páginas do manual de História do 9.º ano dedicadas ao assunto: “12 páginas de texto informativo (acompanhadas de outras 12 só com documentos).” Ou seja, num manual composto por dois volumes (a parte I com 143 páginas e a parte II com 111), num total de 254 páginas, o 25 de Abril ocupa perto de 5% dos conteúdos. “Fico indignada com isto”, diz.

Todos os anos lectivos, Nazaré Oliveira faz por levar alunos do 9.º e do 12.º ano à Assembleia da República e dinamiza ali debates entre os jovens e os deputados: “Quero que eles percebam e sintam que estão num espaço onde as grandes questões deveriam ter lugar. É um espaço privilegiado de cidadania. Ali, as pessoas deviam pôr em primeiro lugar os interesses nacionais e só depois os interesses político-partidários. E o que é que vejo? Vejo a subversão disto tudo. Mas é isto que eu mostro aos meus alunos.” E de forma apaixonada. “Eu acredito muito nos nossos jovens e digo-lhes: ‘Gostava que fossem para a política. Quero ouvir falar de vocês’.”

Pedindo que não se interpretem as suas palavras como arrogância profissional, conclui: “Cada vez me acho mais útil no mundo actual. Continuo a ter um papel muito importante, não na mudança do mundo, mas quem sabe…”

Paulino Spínola também refere que “os programas abordam muito ao de leve o último quartel do século XX e o início do século XXI. Talvez o programa devesse ser reajustado, para chamar um pouco mais à atenção de certos aspectos”.

Dar ou não importância a um data como a do 25 de Abril “depende muito do grupo de História de cada escola, é uma opção dos docentes do grupo”. O professor, que gostava de ter mais tempos lectivos por turma “para analisar os temas com maior profundidade e de os poder complementar com informação de artigos de jornais, filmes e outras fontes”, sabe que os miúdos que, por exemplo, vão para Ciências “nunca mais olham para um manual de História”. Os de Humanidades, sim. “Mas o final do séc. XX é dado no fim do terceiro período do 12.º ano.”

Remetida a História contemporânea sempre para o final dos manuais e dos programas (que nem sempre se conseguem cumprir), um jovem pode muito bem chegar ao final do ensino secundário, aos 18 anos, sem nunca ter dado esta matéria em sala de aula. Excepto numa leve abordagem no 2.º ciclo, quando tinha 11 anos.

“(…) Não, eu não conseguiria imaginar um mundo, uma realidade sem liberdade. A liberdade é o direito de viver”, Fernando (E.S. de Bocage)

“(…) O nosso país está precisar de uma revolução como esta”, Tomás (E.S. da Cidadela)





Quebrar em caso de emergência






As portas que abril abriu (José Carlos Ary dos Santos)



As portas que abril abriu

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

(...)

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!

José Carlos Ary dos Santos
Lisboa, Julho-Agosto de 1975


"A Hora da Liberdade"


«A Hora da Liberdade» é uma ficção documental emitida pela SIC em 1999 que retrata os diversos acontecimentos que pautaram o golpe militar de 25 de Abril de 1974, responsável pela instauração da Democracia em Portugal. É da autoria de Emídio Rangel, Rodrigo Sousa e Castro e Joana Pontes que assegurou, igualmente, a realização.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

"E depois do adeus": primeira senha do 25 de Abril



"E Depois do Adeus" foi a canção que serviu de primeira senha à revolução de 25 de Abril de 1974. Com letra de José Niza e música de José Calvário, a canção foi escrita para ser interpretada por Paulo de Carvalho na 12.ª edição do Festival RTP da Canção, do qual sairia vencedora.


A questão das duas senhas do 25 de Abril

Com a transmissão de "E Depois do Adeus", pelos Emissores Associados de Lisboa às 22h55m do dia 24 de Abril de 1974, era dada a ordem para as tropas se prepararem e estarem a postos. O efectivo sinal de saída dos quartéis, posterior a este, seria a emissão, pela Rádio Renascença, de "Grândola, Vila Morena" de Zeca Afonso.

A razão da escolha de "E Depois do Adeus" é clara: não tendo conteúdo político e sendo uma música em voga na altura, não levantaria suspeitas, podendo a revolução ser cancelada se os líderes do MFA concluíssem que não havia condições efectivas para a sua realização. A posterior radiodifusão, na emissora católica, de uma música claramente política de um autor proscrito daria a certeza aos revoltosos de que já não havia volta atrás, que a revolução era mesmo para arrancar.


O tema

Embora o título, em retrospectiva, pareça remeter para o adeus ao regime do Estado Novo, a canção em si é uma balada sem conteúdo político (...)

(Fonte: Wikipédia)


E DEPOIS DO ADEUS

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós



terça-feira, 23 de abril de 2013

"Grandolar", um neologismo da crise



No contexto da crise que se vive no país, a comunicação social portuguesa adotou uma nova palavra, ao que parece, criada nas redes sociais: "grandolar"*. Deriva do substantivo próprio Grândola, nome de uma cidade alentejana, e significa «interromper um político com a canção "Grândola, Vila Morena", como protesto». O novo verbo refere-se, portanto, não diretamente à cidade mencionada, mas, sim, à famosa canção "Grândola Vila Morena", de José Afonso, a qual assinalou o 25 de abril de 1974 e a chamada "Revolução dos Cravos", que conduziram à instauração do atual regime democrático de Portugal.

*Tem o derivado grandolada e a variante grandolizar, donde deriva grandolização, todas atestáveis na Internet.


Lido em Ciberdúvidas



sexta-feira, 19 de abril de 2013

Jovem portuguesa vence prémio de tradução da UE



Catarina Pinto venceu o prémio do concurso anual "Jovens Tradutores", promovido pela Comissão Europeia (CE). O programa internacional, que contou com a participação de três mil jovens da União Europeia, distinguiu a aluna de Gondomar com a tradução de um texto de Espanhol para Português.

O concurso contou com a participação de 750 escolas secundárias da rede europeia, tendo premiado um estudante por cada Estado-Membro. Entre os 27 jovens estudantes distinguidos esta quinta-feira, em Bruxelas, esteve Catarina Pinto, da Escola Secundária de Rio Tinto.

Num comunicado enviado ao Boas Notícias, a jovem de 17 anos salienta que tem "um gosto especial pelo Espanhol", uma língua que tem vindo a aprender e aperfeiçoar ao longo dos últimos seis anos, "fora da escola".

A jovem portuguesa frequenta o 12º ano, no curso de Ciências, e quer licenciar-se em Medicina. O seu percurso profissional tem como destino o país vizinho de Espanha, sendo que a premiada acredita que a distinção entregue pela CE poderá vir a ser útil nesse sentido.

Durante o concurso, Catarina Pinto apresentou-se como uma pessoa "perfeccionista, persistente, simpática e leal". A jovem refere que a importância de dominar línguas perante um "mundo globalizado" poderá ser uma "mais-valia" para o seu futuro profissional. A vitória no concurso servirá "como trampolim, e não como sofá", destacou.

Com base no tema "solidariedade intergeracional", mote do Ano Europeu de 2012, cada um dos três mil alunos participantes realizou uma prova, sob vigilância de um professor, em que poderiam utilizar um dicionário.



Lido em Boas Notícias (obrigado ao Luís!)


"Disseram-me que quando o livro chegasse..."



Podem acreditar no seguinte. Foi dito à nossa amiga, a Livreira Anarquista, por um cliente da livraria em que ela trabalha (os comentários são dela também, claro). Estas coisas acontecem às vezes...

Disseram-me que quando o livro chegasse me mandavam um S.O.S.

Claro. Como lhe der mais jeito. Podemos notificá-lo por código morse, mensagens em garrafas, sinais de fumo, telegramas, pombos correio ou cartas registadas. É só referenciar a sua opção de aviso com uma cruz.


Mais duas pérolas de outros fregueses (clientes):

— O que é que tem aí que se leia?

 (sem palavras) 



 — Vendem aqui livros completamente em estrangeiro? 

 Completamente em estrangeiro e totalmente sem ser em português.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

As obras da Copa vão de vento em popa


A realidade, parece mentira, é assim.

Nós aproveitamos para aprender uma expressão idiomática. É muito fácil, não é?


 Ir de vento em popa

Significado: Correr tudo muito bem.

Origem: Orlando Neves escreveu o seguinte sobre a origem da expressão «ir de vento em popa», no seu Dicionário das Origens das Frases Feitas (Lello & Irmão):

 «Embora a frase se inclua na linguagem náutica, não há qualquer dificuldade em encontrar-lhe o significado e a origem. «Quando tudo corre bem, quando os negócios ou situações caminham no melhor dos sentidos, diz-se que “vão de vento em popa“, tal qual o navio que desliza, calma e velozmente, quando a vibração do ar sopra na sua parte posterior (a popa).»

(tira-teimas 2)


segunda-feira, 15 de abril de 2013

No Cybercentro de Castelo Branco



Alunos do intercâmbio escolar deste ano entre a EBI João Roiz, de Castelo Branco, e o IES Maestro Domingo Cáceres, de Badajoz, no Cybercentro de Castelo Branco.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Resumo da nossa visita a Castelo Branco



Primeiro dia: Terça-feira, 2 de abril

Castelo Branco fica a cerca de cento e cinquenta km de Badajoz. É uma viagem agradável de fazer. Saímos de Badajoz, às dez para as nove e chegámos, a Castelo Branco, às vinte para as onze, hora espanhola. Ali acertamos os nossos relógios com a hora portuguesa: menos uma hora, como nas Ilhas Canárias.

Fomos recebidos na Biblioteca da EBI João Roiz pelo Dr. Carlos Almeida, o Diretor, e outros colegas da direção, assim como pela professora de Espanhol, Helena Almeida. Após umas amáveis palavras do Dr. Carlos Almeida, a professora de Geografia, Alda Braçal, leu dois poemas sobre o nosso Planeta e sobre a reciclagem, que já foram publicados aqui, no passado dia 10. Em seguida, o grupo musical “Trovarolas” constituído por professores da escola e uma funcionária, ofereceu-nos uma amostra de canções tradicionais portuguesas.



E houve um lanche para repormos forças, antes de continuar a receção.

De seguida, a professora Helena Almeida leu-nos um pequeno conto do escritor angolano, José Eduardo Agualusa, e depois uma breve antologia de poesia em português e em espanhol, que os alunos puderam seguir projetados num ecrã. Uma das nossas alunas do 2º ano, a Fátima, leu um dos poemas em português.


Finalmente, os nossos alunos puderam conhecer pessoalmente os parceiros portugueses, que já conheciam através dos e-mails que haviam trocado, na semana anterior. No primeiro dia, alunos portugueses e espanhóis almoçaram todos na cantina da Escola.



Primeiro contacto de alunos espanhóis e portugueses na Biblioteca

A primeira atividade cultural do intercâmbio foi uma visita ao Museu Cargaleiro e aconteceu logo após o almoço. Manuel Cargaleiro é um pintor e ceramista português que nasceu no concelho de Vila Velha de Rodão, muito perto de Castelo Branco. No fim da visita, todos os alunos pintaram, conforme a inspiração pessoal, um azulejo, que os espanhóis poderão ver no mês de maio. Ali ficaram a secar.




A arte da Fátima



Fim da visita ao Museu Cargaleiro


Segundo dia: Quarta-feira, 3 de abril

Os alunos espanhóis assitiram a uma aula com os parceiros portugueses. Depois, sob chuva forte, fomos de autocarro até ao centro da cidade, para vermos, no Cybercentro, uma exposição intitulada "Era uma vez a informática". Uma fotógrafa da instituição fez uma reportagem da nossa visita, que passou pouco depois para a página do Cybercentro no Facebook. A visita permitiu-nos viajar no tempo, dando-nos conta da evolução da informática até aos nossos dias. Acho que o melhor para todos os alunos, portugueses e espanhóis, foi o segundo andar do edifício, onde puderam aproveitar uns momentos de lazer com diferentes tablets e playstations, exemplos das tecnologias atuais, com as quais estão familiarizados!





Imagem intercalada 1



À tarde, os alunos participaram nos diferentes clubes da Escola e realizaram algumas atividades desportivas. Foi pena a chuva que caiu nesse dia.


Pátio da Escola desde um dos pavilhões de aulas.


Terceiro dia: Quinta-feira, 4 de abril

E chegou o último dia, os professores chegaram a pensar num plano B pois durante a noite, continuou a chover. De manhã, o céu ainda estava cinzento e caíam alguns pingos de água. Seria possível cumprir com o previsto no programa? Afinal foi, e tivemos sorte. Primeiro uma boa caminhada, através da zona antiga, apreciando as portas quinhentistas, depois a chegada ao Castelo, no cimo da cidade. Já na descida, uma visita ao maravilhoso Jardim do Paço Episcopal e ao Parque da cidade.





Reconhecem a Escola vista do Castelo?


No Jardim do Paço Episcopal



Durou pouco, não foi?, mas valeu a pena, acho eu, e a julgar também pelas palavras dos alunos e dos parceiros. É verdade que, três dias foi pouco, mas foram as instâncias que nos impuseram esta duração.

Agora, estamos à espera da visita dos alunos e professoras da EBI João Roiz, que terá lugar nos dias 8, 9 e 10 de maio.

Obrigado por tudo, amigos de Castelo Branco!


Algumas locuções adverbiais





quinta-feira, 11 de abril de 2013

Ai, estou tão à vontade...



Pois é. Alguns livros ao pé, um chazinho, o agasalho, podemos imaginar que ela está a ver um jardim ou uma bonita vista pela janela tão grande...

Dá para perceber o significado da expressão estar à vontade ou sentir-se à vontade, não dá?





quarta-feira, 10 de abril de 2013

Cuidar do Planeta



Estes são os poemas que a professora de Geografia da EBI João Roiz, Alda Braçal, leu na receção que nos foi feita na biblioteca da Escola na passada quarta-feira, dia 2 de abril.


O PLANETA AZUL

Vivo num planeta
muito redondinho,
que gira no céu,
muito devagarinho:
tem terra, tem ar,
tem rios de encantar...
tem o mar salgado,
muito salgadinho
e a água a espelhar
p'ra todo o peixinho
viver e nadar.

Tem árvores, tem flores
de todas as cores!
mimosas e campainhas
por entre as ervas daninhas
vão colorindo o planeta
com as tintas da paleta.

Tem muitos, muitos sons
que são mesmo muito bons:
a chuva a cair,
os meninos a rir
os grilos a cantar
o vento a soprar.

Tem minerais, tem animais,
seres extraordinários podes encontrar!
Tatus, dromedários,
o esquilo voador,
o macaco aranha,
o martim pescador...

Tem gente, tem gente,
Tanta e tão diferente!

Tem hemisfério norte,
tem hemisfério sul.
É o planeta Terra,
"O Planeta Azul!".

Pelo espaço viajei,
de lá, a terra avistei:
era uma bola azulada
com uma parte acastanhada,
uma bola a rebolar
sempre, sempre e muito devagar.



RECICLAR

Reciclar e reduzir
são regras para cumprir,
mas há que reutilizar
para se poder poupar.
Se o vidro é no vidrão
e o papel no papelão,
ora então, vamos lá ver
o que se pode fazer
com a imaginação...

De um pote, faz-se um jarrão;
de uma caixa, uma gaveta;
de um caixote, uma maleta;
para um uso bem contido,
de um cortinado, um vestido;
de uma tábua, um tabuleiro;
de uma lata, um mealheiro.

Para o futuro nos dar
um mundo mais bonito
vamos todos colaborar
Reciclar... Reciclar...


Alda Braçal (adaptado)




segunda-feira, 8 de abril de 2013

Os alunos do intercâmbio escolar 2013 em Castelo Branco


Os alunos do IES Maestro Domingo Cáceres de Badajoz e da EBI João Roiz de Castelo Branco à frente da antiga Biblioteca Municipal da cidade.

Será publicado no blogue um resumo com fotografias da nossa visita a Castelo Branco. Isso vai demorar mais alguns dias, mas não muitos. Há muitas e é preciso fazer uma boa seleção delas. Paciência! Por enquanto, fica esta do grupo, tirada no último dia da nossa estadia.



sexta-feira, 5 de abril de 2013

Despedida em Castelo Branco



Os alunos do 2º e do 3º anos que participaram no intercâmbio escolar com a EBI João Roiz de Castelo Branco voltaram ontem para Badajoz. Foi breve, mas valeu a pena. Eles acharam muito pouco o tempo, e teriam gostado de lá ficar mas não podia ser doutra maneira. Os nossos amigos albicastrenses estarão em Badajoz nos dias 8, 9 e 10 de maio.

Para a semana teremos aqui um resumo da visita.

 


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cantiga partindo-se (João Roiz de Castel-Branco)



Já foi publicado aqui o texto dos mais conhecidos versos do poeta do século XV João Roiz de Castel-Branco, autor que dá nome à Escola com que fazemos o nosso segundo intercâmbio escolar.

Hoje, 3 de abril é o nosso segundo dia  em Castelo Branco.


O cantor alentejano Vitorino escreveu música para esses versos e cantou-os.

Senhora, partem tão tristes
Meus olhos por vós, meu bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.

Tão triste, tão saudosos,
Tão doentes da partida,
Tão cansados, tão chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes,
Tão fora de esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.


 Os versos do poeta na parede da Biblioteca da EBI João Roiz