Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Renfe quer pôr maquinistas espanhóis a aprender português



Renfe quer pôr maquinistas espanhóis a aprender portugués

Os maquinistas da transportadora ferroviária espanhola Renfe vão receber formação em língua portuguesa e normas nacionais para poderem operar em todo o trajeto do comboio direto entre Vigo, na Galiza, e Porto, disse à Lusa fonte sindical.

Segundo fonte do sindicato ferroviário da Galiza, que cita informação da própria transportadora espanhola, esta formação em português é justificada com a pretensão, recusada pelos representantes daqueles trabalhadores, de os maquinistas espanhóis passarem a operar em todo o trajeto.

Segundo o sindicato, esta formação em língua portuguesa envolveria 64 trabalhadores da Renfe, transportadora pública de Espanha, colocados em Vigo, dos quais 36 são maquinistas.

Até agora, mesmo com o novo serviço direto entre as duas cidades, inaugurado a 02 de julho e operado conjuntamente pela Renfe e pela congénere portuguesa CP, a troca de maquinistas era feita na estação de Valença.

Numa carta já enviada pelos sindicalistas galegos ao Governo de Espanha, é recusada esta pretensão, por implicar uma "redução considerável dos níveis de segurança".

O próprio sindicato recorda que a circulação em segurança no troço da Linha do Minho entre Valença, Viana do Castelo e Nine, de cerca de 90 quilómetros, está dependente da sinalização por meios mecânicos e da comunicação com os trabalhadores portugueses. Trata-se do único troço daquela linha ainda por eletrificar e modernizar, existindo o compromisso do governo português de o fazer até 2016.

É precisamente devido a estas exigências de comunicação, e para permitir ter maquinistas da mesma nacionalidade para garantir toda a viagem, que a Renfe pretende formar os profissionais espanhóis na língua portuguesa e nas normas nacionais.

Prevê recorrer, para tal, a um "curso intensivo", considerado pelos sindicalistas como "insuficiente", face às necessidades de entendimento com os colegas portugueses que operam a circulação na linha.

As aulas de português terão uma duração de entre 180 a 300 horas, consoante o nível de conhecimentos de cada profissional.


(Fonte: TSF, 17-09-2013)