Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.
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terça-feira, 6 de novembro de 2018

Quais as vossas melhores férias de verão?



Estes textos foram encontrados na net. Vamos aproveitar estas experiências. De todas as formas, pela vossa idade, ainda têm muitas férias pela frente para viver e contar.


As minhas melhores férias, por tudo. Viena de Áustria.

Porque foram as primeiras sozinha, porque foi a minha primeira viagem internacional e porque nunca mais vou ter aquela sensação de liberdade e independência. Ter 18 anos, também ajudou imenso.

Descobri que o mundo era muito mais do que aquilo que conhecia, e fiquei com a imensa vontade até hoje de conhecer mais e mais.

Um destino que já tive de oportunidade de visitar mais vezes, mas a magia da primeira vez será sempre inesquecível.

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Não sou capaz de identificar as minhas "melhores férias de verão"...

Lembro-me das férias de verão da minha infância, que pareciam durar uma eternidade! E era tudo tão bom!!!

Entretanto, os anos vão passando e há realmente férias de verão mais especiais que outras, por vários motivos...




terça-feira, 23 de outubro de 2018

Alguém se lembra de um verão da infância



Verão

Quando vínhamos de brincar no rio, eu os meus irmãos e por vezes o meu primo, comíamos gemadas. Abríamos os ovos e separávamos as claras das gemas bem amarelas, só as prodigiosas galinhas da minha mãe que nos brindavam com mais de duas dúzias de ovos por dia podiam produzir ovos assim amarelinhos. Guardávamos as claras para fazer Molotof que só era difícil quando o caramelo se queimava e colocávamos as gemas em tigelas, duas gemas para cada um. Depois, deixávamos que os cristais de açúcar fizessem o resto e assistíamos ao Gladiadores Americanos que passava na SIC. Era Verão.


Tetisq, no seu blogue Po de Giz no Quadro



quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Alguém nos conta as suas "melhores férias de verão"


Não me lembro de onde encontrei este breve texto de um jovem a contar umas ótimas férias de verão que ele passou no nosso país, em Palma de Maiorca:


As minhas melhores férias de verão!!

Hoje eu acabei de chegar das minhas férias longas de verão, e eu fui a Palma de Maiorca: aquilo é simplesmente espectacular. O hotel ficava mesmo em frente da praia e o melhor era que também havia lá uma piscina, baloiços de rede que nós adoravamos ir deitar-nos lá. De manhã cedinho nós íamos dar um mergulho e depois tomávamos o pequeno-almoço. Logo a seguir íamos passear com os guias turísticos para conhecer melhor a ilha. Andámos de jipe, de land rover e muitos mais; foi tudo como um sonho mas não era, era realidade. Depois fomos andar de barco até ao outro lado onde fomos beber água de coco que era maravilhosa e eu adorei. À noite nós passeavamos à beira mar e comíamos um gelado. Era tão fixe acordar e ver logo o mar e o nascer e o pôr-do- sol. A comida era deliciosa: serviam um pouco de tudo.

Os sumos eram todos tropicais alguns deles, eu nunca tinha provado. Até fiz amigos novos lá.

Espero ter muitas férias iguais a estas =)






quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

"Quando era pequeno as férias eram grandes" (Anastácio Neto)



Quando era pequeno as férias eram grandes. Duravam meses. Não cabiam na mochila da escola. Agora são minúsculas. Duas ou três semanas riscadas no calendário de mesa do escritório. Agora são do tamanho de um voucher que se esconde no bolso de trás das calças.

Quando era pequeno as férias eram grandes. Íamos (eu e o meu irmão) para a aldeia natal do meu pai, perto de Vinhais, em Trás-os-Montes. A casa da minha avó era feita de pedra com sorrisos lá dentro. Primos e tias recebiam-nos de braços abertos e mãos enrugadas. O cheiro da lareira e do fumeiro perfumava a casa. Jogávamos à sueca na varanda. Rezava para que não me saísse a manilha seca. A madeira rangia sob os nossos pés. Corríamos dentro de casa, era permitido. Ouvi pela primeira vez Pink Floyd num cartucho que se encaixava na aparelhagem da sala. No telhado desse móvel encontrei um charuto dentro de uma caixa. Fumei às escondidas. Dei o meu primeiro beijo na margem do rio.

Quando era pequeno as férias eram grandes. Feitas de aventuras. Os caminhos da aldeia cheiravam à passagem de cavalos e ovelhas. Os idosos cansados, sorriam como crianças. As árvores indicavam o caminho para os terrenos de cultivo, nos quais os meus primos ensinavam o nome das coisas. Chamavam fragas às rochas. Todos os anos conhecíamos um primo novo, uma namorada diferente e um canto oculto da aldeia que parecia imensa. Bebíamos tango (7 Up com groselha). Dançávamos música pimba que na altura não se chamava pimba. Como um gelado, levávamos connosco um pouco da felicidade dos outros que se derretia pelo caminho.

Quando era pequeno as férias eram grandes. Agora são cada vez mais pequenas. A casa da avó foi restaurada. Está moderna. A madeira foi substituída por mosaico. O meu pai e a minha avó reencontraram-se noutra casa e estão felizes. Agora somos diferentes, nós os que cá ficámos. Estamos mais velhos. Menos velozes. Contentamos-nos com dias em Agosto sem vento, pequeno-almoço com fruta e dois mergulhos no mar à tarde. As aventuras cedem lugar ao merecido descanso. Optamos pelo previsível, evitamos surpresas. Somos felizes de outra forma. Depois dos quarenta também temos férias grandes mas, são mais pequenas. Feitas com pedaços de memórias colados com amor de quem, neste agora, sempre esteve connosco e nos torna em seres um pouco mais felizes.

Anastácio Neto


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Saudades das minhas férias de criança! (Miska)




Saudades das minhas férias de criança!

O verão com crise, ou sem crise, é sempre uma das melhores coisas da vida! Então quando se está de férias .... não há melhor!

Há toda uma alegria no ar que aquece a alma, nos torna mais leves,mais tolerantes e nos faz pôr todos os problemas de lado: "Hospital? O que é isso? É onde trabalho? Ah... pois é ...claro! Agora assim de repente... não estava a ver!"

Se fechar os olhos quase consigo rever todos os verões da minha vida!

Que alegria era quando, no Alentejo ou no Algarve, se juntavam os primos todos e, num abrir e fechar de olhos, passávamos a ser uma família enorme.

Um quarto de duas crianças (na altura nós) se transformava, por magia, num quarto para 6 ou para 8 (dependia). Ainda hoje me ponho a pensar como é que cabíamos todas lá dentro e, mesmo assim, o quarto nos continuava a parecer enorme ?!!!

Ainda me lembro de à noite, no Alentejo, já adolescentes, a entrada para o nosso quarto se fazer pela janela, para não incomodarmos os pais, sempre que chegávamos a casa às duas ou três da manhã, vindas das nossas festas.

Depois ... a risota era tanta... que o efeito pretendido era posto em causa e...mais valia termos entrado pela porta.

E nos carros? Éramos sempre imensos os que iam no banco de trás! Não havia ainda cintos, nem regras de segurança a cortar- nos "o barato", e isso fazia de cada viagem a maior excitação do mundo!

Mas férias era isso mesmo!

Ouço ainda ao longe o barulho e a confusão das nossas vozes, as brincadeiras sem fim, a risota pegada, as sestas obrigatórias (que na altura eram a maior seca da vida), os passeios de carro, os dias na praia (enormes), os banhos na lagoa (hoje transformada numa moderna praia fluvial), os desejos pedidos a cada estrela cadente que víamos cruzar os céus (Deus queira que o... me peça namoro), os geladinhos que íamos comer todas as noites (chocolate, sempre), as partidas que pregávamos, os nossos passeios de bicicleta, as noites quentes e estreladas no Alentejo, o som dos grilos, as taças de tomate com açúcar (invenção da minha mãe para nos fazer comer tomate e que se transformou rapidamente numa gulodice obrigatória para todas nós, até a Maria não a dispensa hoje), os passeios até Espanha (já que estávamos ali tão perto), a choradeira que era de cada vez que vez que as férias acabavam e tínhamos de regressar a Lisboa!

As saudades instalavam-se e a única coisa a fazer para as abrandar um pouco era iniciar a contagem decrescente para as férias do ano seguinte....

por Miska, em 18.08.14




quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Alguem vai contar as férias de verão?

 


Vejam como é que passaram as suas férias estes miúdos, mais pequeninos do que vocês, não é? Para que sirva de inspiração...

Tomás, 8 anos

O que gostei mais nas férias foi a minha festa de anos que a mãe e o mano me prepararam. Os saltos mortais que dei no insuflável, que estava no meu terraço, foram muito divertidos. Além de praia, também passei muito tempo a fazer pesquisas no meu novo tablet que o meu mano me ofereceu. O que menos gostei destas férias foi ter sido empurrado pela minha mãe e por isso não saí numa foto de um casamento. Nestas férias vi também alguns filmes e o que mais gostei foi o filme dos aviões. Li também dois livros, o Toy Story 3 e o Ratatui.


Eva, 7 anos

O melhor dia das minhas férias foi quando eu fui ao Algarve e fui à praia com a minha amiga Catarina nas piscinas naturais e fui com uma faca e taparueres apanhar lapas com a minha mãe e o meu pai. O que eu tenho saudades na escola é das minhas amigas e das árvores e flores que lá tem. O que eu sinto menos falta da escola é da matemática.


Rita, 8 anos

As minhas férias foram fantásticas! Gostei muito da praia e da piscina. De ficar em casa das minhas primas uns dias. Mas a coisa que gostei mais foi o Badoca Parque! Eu gosto muito de animais. Agora vou só dar um mergulho e já volto... Gosto muito de férias porque estou descansada, sem trabalhos nenhuns. Não tenho que andar a correr para não chegar atrasada às aulas. E posso ir para a cama mais tarde. Acho que o regresso à escola vai ser bom! Vou ver os meus amigos de volta. A coisa que gosto mais é de brincar com eles no recreio. Também gosto das aulas, especialmente do estudo do meio, porque tem ciências dos líquidos de cores.


Manuel, 8 anos

Eu gostei das férias e tive saudades da escola, especialmente dos professores. As férias foram nas Pedras da Rainha e adorei estar lá. Gostei da piscina, mas agora estou em Caxias e já me habituei a estar na escola nova, que é pública, já não estou num colégio privado. E estou muito ansioso. Eu fui à praia com os meus pais. Adorei andar na prancha de bodyboard na água e fazer bolhas de sabão. Adorei todas as lojas, eram belíssimas, e fiz compras com o meu próprio dinheiro – que juntei com os meus manos e depois partimos o mealheiro no dia 14 de Agosto! E agora vou passar a ir para lá sempre nas férias de Verão. O meu momento favorito foi nadar na piscina. Eu estou no 3º ano. Daqui a nada estou na escola e aí posso jogar futebol, basquete, voleibol, corridas, escondidas e ao mata. E em casa também.


Kiko, 8 anos

Vou contar as minhas férias cheias de humor (hahaha) e calor. Vai ser uma história pequena, tudo por causa do José Sócrates, que me tirou metade das férias. Em vez de duas semanas tive uma! Também porque o carro da mãe se avariou, com uma conta de 982 euros. Raios! A minha parte preferida das férias foi quando eu e a minha mãe tivemos de esperar 5 minutos (a loja ainda estava fechada) para comprar uma prancha de bodyboard, mas valeu a pena. Mas a pior parte foi quando acabei uma bola de Berlim com chocolate. Buá!!! Sinto super-saudades do meu professor. Até sonho com ele! Da escola menos, mas também sinto saudades. Os amigos, nem por isso. O meu nome é Kiko e contei as minhas férias!


Inês, 8 anos

A casa do meu tio é em Torres Vedras por isso eu fui para lá uma semana. Estavam lá dois irmãos da tia Paula, o filho de um dos irmãos da tia e a namorada dele. Claro, e os meus primos. Eu dormia com a minha prima. Depois o irmão da tia, o sobrinho da tia e a namorada foram-se embora e só fiquei eu com os meus primos e os meus tios. O meu primo fez skimming e eu fiz bodyboard, mas o mar estava bruto e a água fria. Fui picada por uma melga e fiquei com a mão inchada, mas depois passou. Comi sempre muito bem. Fui 3 vezes às festas de Casalinhos à noite, foi muito divertido e conheci o namorado da minha prima. Foi mesmo divertido passar lá uma semana. Tive saudades dos meus pais, do meu irmão, do meu avô e das minhas avós. Gostei muito das minhas férias mas tenho vontade de voltar para a escola para aprender e ver os meus amigos.


Bia, 7 anos

O que eu mais gostei nas férias foi o passeio ao jardim zoológico, as férias no Algarve e em Feirão. Gostei de estar com a minha mãe, o meu pai e o meu irmão e os outros da nossa família. Eu estou com saudades da escola, dos meus colegas, da minha professora e das nossas brincadeiras. Eu não tenho saudades da Aida magrinha, dos almoços e das casas de banho, elas estão todas sujas. Não gosto quando chove, de termos de ver filmes e de eu não conseguir ver nada.


Margarida, 9 anos

Nas minhas férias o dia de que gostei mais foi quando a minha amiga Marta e eu mais a minha mãe, o meu irmão e um amigo dele fomos à piscina da Praia Grande, onde nos divertimos muito. Enquanto estava de férias senti muita falta dos meus amigos da escola. Mas durante as férias a única coisa de que não tive saudades na escola foram os trabalhos de casa.


Tiago, 8 anos

Férias para mim é igual a piscina. E a praia, claro! Mas se pudesse passava as férias dentro de uma piscina. A seguir à minha mana Madalena, a bola é a minha melhor amiga. Não a largo por nada! Diverti-me muito, mas também trabalhei. A minha mãe disse-me que tinha de fazer alguns trabalhos de casa para ir praticando. Eu concordei. Há uns dias vi na televisão uma reportagem sobre a apanha da maçã, não me lembro onde. Toda a gente tem de trabalhar nas férias, não é?


Francisco, 10 anos

O que eu mais gostei nas minhas férias, foi passar duas semanas com o meu amigo Tomás. A primeira semana fomos para uma quinta com cavalos, onde dávamos comida, banho, passeávamos e montávamos os cavalos. Gostei muito, pois nunca tinha tido estado com cavalos. A segunda semana estivemos numa escola de futebol. É o meu desporto preferido! A melhor recordação das minhas férias, foi com os meus pais e irmãs em St. Luzia, no Algarve. Foi quando a minha irmã mais velha Coca, nos fez uma surpresa. Veio passar 3 dias connosco, pois ela casou a seguir!! O que eu tenho mais saudades da escola é da minha professora Cristina, do 4.º ano. Eu também gostava de ter ficado com os meus melhores amigos na turma. Como passei para o 5.º ano, tenho uma turma toda nova. Mas também é bom, pois faço novos amigos.


(Fonte: Primeiro TPC do ano: contar ao i como foram as férias de Verão)



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

As minhas férias (Jacinto Lucas Pires)

Jacinto Lucas Pires


As minhas férias foram em casa dos meus avós. Todos os anos as minhas férias são lá. A casa dos meus avós é grande mas parece um bocadinho pequena. Tem umas escadas e uma cave e muito mais quartos que a nossa casa, mas tudo parece um bocadinho mais baixo e apertado. Uma vez caí das escadas e não me magoei nem nada. Mas isso foi quando eu só tinha cinco anos. Nessa altura eu não sabia escrever nem nada porque ainda estava na infantil e agora até subo dois degraus de cada vez e as pessoas dizem que eu sou muito mexido. O meu avô até me disse que eu era um super-herói. Disse assim: ah, és tu, Filipe! Achei que era um super-herói que nos tinha entrado em casa. O meu avô gosta muito de super-heróis ou pelo menos é o que eu acho porque ele está sempre a falar-me deles. À mesa, quando os outros crescidos começam a ter conversas diferentes assim mais sérias e isso, o meu avô fica calado que nem um rato, que é como diz a minha avó, e depois só diz uma coisa ou outra quando lhe apetece ou quando se lembra de uma história divertida e então dá gargalhadas muito altas, mas não altas como quando às vezes ralham alto connosco e sim altas de fazer uma espécie de cócegas na nossa boca e termos de rir também e também alto como ele. As pessoas crescidas normalmente são diferentes. As pessoas crescidas normalmente não se riem ou riem-se de coisas que não têm graça nenhuma, pelo menos eu não acho, e às vezes param mesmo de rir a meio do riso como se uma gargalhada fosse uma coisa feia ou um palavrão muito mau. As pessoas crescidas não são nada como o meu avô. O meu avô é assim mais redondo e às vezes até parece que vai tropeçar e tudo. Mesmo quando está calado ou a dormir na poltrona castanha o meu avô não é nada sério e, como eu costumo dizer, isso é muito positivo. As pessoas crescidas normalmente não são nada positivas. As pessoas crescidas normalmente são muito levantadas e direitas e fazem lembrar árvores daquelas que estão sempre num conjunto de árvores e são muito iguais às outras todas, como os eucaliptos por exemplo. Um dia o meu pai foi comigo à mata que é como nós chamamos a uma floresta que há lá ao pé da casa dos meus avós, para aí a uns 2 km ou 3 km, e mostrou-me o que eram eucaliptos. Disse assim: estás a ver, Filipe? Isto aqui são eucaliptos. Eucaliptos. Mas nessa altura eu era muito pequenino e tinha mais ou menos quatro anos e por isso ainda não sabia dizer eucaliptos. Dizia de uma maneira diferente e engraçada mas agora já não me lembro. Já passou muito tempo porque isto foi quando eu ainda era um bebé. Aos seis anos é a idade em que se fica mais crescido e eu já estou quase a fazer sete por isso vou rebentar a escala e claro já não sou um bebé.

Quando começam as férias vamos de carro para casa dos meus avós. E quando as férias acabam vimos para nossa casa também de carro, é só fazer o caminho todo ao contrário, mas por acaso às vezes parece mesmo que é outra estrada e que não foi por ali que viemos e nessas alturas eu penso para onde é que estamos a ir? Os meus avós são os pais da minha mãe. Os pais do meu pai morreram antes de eu nascer ou então quando eu era tão pequeno que não me lembro das caras deles. Um tio meu também morreu há pouco tempo e eu lembro-me muito bem da cara dele. A minha mãe disse-me que ele tinha subido para o céu porque era uma pessoa boa e então eu perguntei à minha mãe o que é que acontecia às pessoas que não eram tão boas e a minha mãe disse-me que também iam para o céu e depois eu ganhei coragem e perguntei-lhe e o que é que acontece às más? E a minha mãe disse que todas iam para o céu e eu aprendi isso. Deve ser bom estar no céu e passar por cima dos automóveis, principalmente quando está muito trânsito e as pessoas já estão chateadas de estar ali. A minha avó diz: não se diz chateadas, diz-se aborrecidas. Está bem, Filipe? Está bem, avó. A minha avó quer sempre que eu coma mais e às vezes ri-se de coisas que eu digo sem ser para rir e eu fico contente e depois volto a dizer essas coisas mas normalmente à segunda vez a minha avó já se ri com menos vontade. A minha avó diz que eu sou muito engraçado. Outras vezes diz que eu sou esperto mas não caço ratos. A minha avó não gosta nada de ratos mas está sempre a falar neles.


Jacinto Lucas Pires

Do romance Abre para cá, Livros Cotovía, 2000


(Fonte: Centro Virtual Camões)

 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Vamos contar as férias grandes



Os alunos do 4º ano, os mais velhos, devem escrever acerca das suas férias grandes, que, apesar de serem grandes, acabaram - como é natural. E deste modo revêem o perfeito simples (eu fui a.... , estive em..., nadei...) e o imperfeito (eu ia, nós íamos todas as tardes, fazíamos...), mais o vocabulário (praia, piscina, jogos, etc.)

Os textos que vos trago à respeito do assunto "férias grandes" são contados por adultos, mas são interessantes porque vão comprovar que esta coisa de ser miúdo ou miúda é igual em (quase) toda a parte. Vejam os jogos, as brincadeiras, os acidentes que sempre acontecem, os cães amigos do peito (nós dizemos amigos del alma), sei lá, tanta coisa...

É claro que naquela altura não havia computadores, nem consolas, nem mp3, nem telemóveis... Mas ninguém se aborrecia - ou, pelo menos, o aborrecimento demorava pouco tempo!


De Luísa Schmidt, professora universitária, ambientalista.

A primeira coisa que me lembro das férias é que eram de facto muito grandes. Até certa idade, passava-as metade numa quinta do Livramento (uma aldeia ao pé de São João do Estoril) e metade noutra quinta em Alhandra. A Alhandra, que era a uns dez quilómetros de Lisboa, parecia longíssimo. Lembro-me de ir pela velha estrada nacional —pois não havia a auto-estrada— e ver o vaivém dos teleféricos da cimenteira. O meu avô tinha uma quinta com muitos cães, entre os quais um que mordia as pessoas baixas. Para evitar isso, eu tinha que andar de andas.

Entre irmãos e primos, seis rapazes e três raparigas, as brincadeiras eram sempre muito arrapazadas. Corridas pelo cimo das árvores. Jogar à pedrada, à apanhada, ao “bilas”, à malha... Tudo coisas de rapazes, mas as raparigas faziam parte da tribo... e também davam pontapés. Uma vez, no jogo da malha – um jogo onde se lançam bolachas de ferro para acertar num pau – o meu irmão partiu os dentes a uma rapariga. Nunca mais esquecemos o acidente.

Eu era a mais nova, e os meus irmãos nem sempre tinham pachorra. Por vezes fazia de filha deles. Brincávamos aos polícias e ladrões e eu servia de pretexto para rapto. Um dia tinha sido roubada e a minha irmã Teresa, que ia comigo às cavalitas, caiu e eu bati com a cabeça e desmaiei. Fui parar ao hospital... mas não foi mau. Mesmo em férias, estar doente lá em casa era de boa memória: a nossa mãe e a Zula enchiam-nos de mimos e de livros aos quadradinhos... (...)






De Jorge Vaz de Carvalho, barítono, professor

As minhas férias grandes eram aquelas férias enormes que havia nessa altura. Como a família da minha mãe era do Algarve, íamos para lá dois meses. Um mês era passado no monte, outro na Praia da Rocha. Durante o segundo mês eu estava com os amigos, mas no primeiro estava sozinho, e tinha de inventar brincadeiras. Acho que isso foi óptimo. Inventava com um cão que lá havia, chamado Pombinho. Era um cão sem raça definida – de raça mete-nojo, como se dizia – que sucedera a um outro chamado Piloto. Herdou o domínio territorial, mas de início achou um pouco estranho. Lembro-me que no segundo ano pensei que ele não me ia reconhecer, mas saltou-me para cima e fez-me uma grande festa por ter passado um mês a brincar comigo, um ano antes.

Uma das brincadeiras que fazia com ele envolvia encontrar inimigos e combatê-los. Eu juntava uma quantidade enorme de calhaus em cima do forno do pão que funcionava como a minha torre do castelo. O cão era o meu lugar-tenente. Os inimigos eram os galináceos, os patos, etc. Eles não atacavam, só levavam. Eram os inimigos perfeitos. (...)


(Textos tomados do jornal Público, 5 de Setembro de 2009)