Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.
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terça-feira, 18 de junho de 2019

Palavras de Saramago sobre a leitura


José Saramago (Azinhaga, Golegã, 16 de novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de junho de 2010) foi um escritor português. Galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.

(Wikipédia)




segunda-feira, 8 de abril de 2019

"A velhice começa quando se perde a curiosidade"

Fotografia de Jairo BD



A velhice começa quando se perde a curiosidade.

José Saramago 




sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Saramago e Júlio Pomar: arte e pintura

Obra de Júlio Pomar, pintor português


A pintura não é mais do que a literatura feita com pincéis [...]. A humanidade começou a pintar muito antes de saber escrever.

José Saramago

No seu livro A História do Cerco de Lisboa.


José Saramago ( 1922 — 2010) foi um escritor português.

Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

(Wikipédia)







segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Saramago e a viagem


Voltamos das férias de Natal com  um trecho do livro Viagem a Portugal, obra de viagens do escritor José Saramago. Alunos do 4º ano, lembram-se das viagens que contaram? Agora toca a pensar nas viagens que "podiam" fazer no futuro.


«A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.»

_______________________________________________


E a seguir, o contexto em que o próprio Saramago se referia a esse trecho:


Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Viagens

Viemos de Lanzarote no último sábado, com escala em Sevilha, e depois por estrada até Lisboa. No domingo, como expliquei, fomos à Azinhaga por causa de estátua que lá foi posta. O plátano em frente da casa é um autêntico esplendor, uma gama de verdes riquíssima que atrai para uma demorada contemplação e me fez pensar: “Não mudes, deixa-te ser como és”. Inútil desejo, virá o Verão com os seus calores, o Outono com o primeiro frio, e as folhas cairão, o esplendor apaga-se, a árvore adormece até que a nova Primavera venha tomar o lugar desta que está terminando.Estes pensamentos sem nenhuma originalidade fizeram-me recordar o último e breve capítulo da Viagem a Portugal que, ouso pensar, alguma originalidade haverá tido. E pensei que não ficaria mal trazê-lo aqui, quando estamos a ponto de partir outra vez, agora para a Corunha. Aí vai, portanto: «A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.» Assim é. Assim seja

Outros Cadernos de Saramago



quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Umas palavras de José Saramago



José Saramago (1922-2010), escritor português, Prémio Nobel da Literatura em 1998.

Último dia de aulas na Escola. Com estas palavras de Saramago, despeço-me de vocês até ao próximo ano.


Boas Festas para todos!






sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Voltamos com José Saramago: Pensar e dizer não



E estas outras palavras são também do escritor português José Saramago:, Prémio Nobel da Literatura em 1998.


"A palavra mais importante é não, saber dizer não à injustiça, não à desigualdade"












quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Perguntaram a Saramago e ele respondeu...



José Saramago  (Golegã, Azinhaga, 1922 — Tías, Lanzarote, 2010) foi um escritor português. Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998.





terça-feira, 14 de abril de 2015

A poesia que ficou por ler no dia 8




Poesia em espanhol e em português para receber os alunos e professoras albicastrenses que ficou por ler. Ai, o tempo a correr contra nós!

Eis os versos de um poeta mexicano, dois espanhóis e quatro portugueses.


Visitas

A través de la noche urbana de piedra y sequía
entra el campo a mi cuarto.
Alarga brazos verdes con pulseras de pájaros,
con pulseras de hojas.
Lleva un río de la mano.
El cielo del campo también entra,
con su cesta de joyas acabadas de cortar.
Y el mar se sienta junto a mí,
extendiendo su cola blanquísima en el suelo.
Del silencio brota un árbol de música.
Del árbol cuelgan todas las palabras hermosas
que brillan, maduran, caen.
En mi frente, cueva que habita un relámpago...
Pero todo se ha poblado de alas.

Octavio Paz



Vals de los enamorados y unidos hasta siempre

No salieron jamás
del vergel del abrazo.
Y ante el rojo rosal
de los besos rodaron.

Huracanes quisieron
con rencor separarlos.
Y las hachas tajantes
y los rígidos rayos.

Aumentaron la tierra
de las pálidas manos.
Precipicios midieron,
por el viento impulsados
entre bocas deshechas.
Recorrieron naufragios,
cada vez más profundos
en sus cuerpos, en sus brazos.
Perseguidos, hundidos
por un gran desamparo
de recuerdos y lunas,
de noviembres y marzos,
aventados se vieron
como polvo liviano:
aventados se vieron,
pero siempre abrazados.

Miguel Hernández



Cuando tú pasas por la calle,
¿qué más puede pasar
que le importe a nadie?


Ahora que no te quiero,
de lo mucho que te quería
¡cuánto me acuerdo!


Por mucho que corra
la corza blanca,
su negra sombra
siempre la alcanza.


Isabel Escudero


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Aos amigos

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
-Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Helder



Bucólica

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga



Diz tu por mim, silêncio

Não era hoje um dia de palavras,
Intenções de poemas ou discursos,
Nem qualquer dos caminhos era nosso.
A definir-nos bastava um acto só,
E já que nas palavras me não salvo,
Diz tu por mim, silêncio, o que não posso.

José Saramago



Valverde del Fresno

A cerejeira o muro
uma criança canta
contemporânea apenas
das águas lentas.

É verão onde canta
de ramo em ramo
ou pedra
em pedra essa criança?

Diz-me diz-me
branca cerejeira branca.

Eugénio de Andrade




quarta-feira, 18 de junho de 2014

José Saramago: 18 de junho - 4 anos depois



Programação da Fundação José Saramago no quarto aniversário da morte do escritor português:



Nós acrescentamos um excerto da sua obra O homem duplicado (2002), que foi levado para o cinema pelo realizador canadiano Denis Villeneuve, em inglês, (Enemy, 2013), e que estreia agora nas salas espanholas (aqui, uma ficha do livro e mais uma do filme).


O homem que acabou de entrar na loja para alugar uma cassete vídeo tem no seu bilhete de identidade um nome nada comum, de um sabor clássico que o tempo veio a tornar rançoso, nada menos que Tertuliano Máximo Afonso. Ao Máximo e ao Afonso, de aplicação mais corrente, ainda consegue admiti-los, dependendo, porém, da disposição de espírito em que se encontre, mas o Tertuliano pesa-lhe como uma lousa desde o primeiro dia em que percebeu que o malfadado nome dava para ser pronunciado com uma ironia que podia ser ofensiva. É professor de História numa escola de ensino secundário, e o vídeo tinha-lhe sido sugerido por um colega de trabalho que no entanto não se esquecera de prevenir, Não é nenhuma obra-prima do cinema, mas poderá entretê-lo durante hora e meia. Na verdade, Tertuliano Máximo Afonso anda muito necessitado de estímulos que o distraiam, vive só e aborrece-se, ou, para falar com a exactidão clínica que a actualidade requer, rendeu-se à temporal fraqueza de ânimo ordinariamente conhecida por depressão. Para se ter uma ideia clara do seu caso, basta dizer que esteve casado e não se lembra do que o levou ao matrimónio, divorciou-se e agora não quer nem lembrar-se dos motivos por que se separou. Em troca não ficaram da mal sucedida união filhos que andassem agora a exigir-lhe grátis o mundo numa bandeja de prata, mas à doce História, a séria e educativa cadeira de História para cujo ensino o chamaram e que poderia ser seu embalador refúgio, vê-a ele desde há muito tempo como uma fadiga sem sentido e um começo sem fim.







quarta-feira, 23 de abril de 2014

Palavras de Saramago para o Dia do Livro



"O leitor também escreve o livro quando lhe penetra o sentido, o interroga"

José Saramago

 
José Saramago (1922-2010) foi um escritor portugués, Prémio Nobel da Literatura em 1998.









segunda-feira, 3 de junho de 2013

Umas palavras de José Saramago



Quero é recuperar, saber, reinventar a criança que eu fui. Pode parecer uma coisa um pouco tonta: um senhor nesta idade estar a pensar na criança que foi. Mas eu acho que o pai da pessoa que eu sou é essa criança que eu fui. Há o pai biológico, e a mãe biológica, mas eu diria que o pai espiritual do homem que sou é a criança que fui.

José Saramago

Diário Público, Lisboa, 14 de Outubro de 1998

In José Saramago nas suas palavras

O escritor português faleceu a 18 de junho do ano 2010.




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Saramago para os alunos do 4º ano

Num diálogo do livro utilizado no 4º ano falava-se de um filme, A jangada de pedra, baseado num romance do mesmo título do escritor português José Saramago, Prémio Nobel de Literatura em 1998.

Vamos saber alguma coisa deste romance e ler o início dele. Aviso: não é fácil.


A Jangada de Pedra é um romance de José Saramago. Conta a história ficcional da separação geográfica da Península Ibérica do restante continente europeu. Esta obra, traduzida em mais de vinte línguas, já foi adaptada ao cinema em 2002 por George Sluizer.A obra é escrita em um formato singular, onde os diálogos são incorporados à narrativa, omitindo os travessões e pontos de exclamação e interrogação.

A separação geográfica é uma alusão ao que Saramago via ocorrer frente à unificação da Europa, onde os países ibéricos estavam postos de lado, navegando à deriva sem se identificarem cultural, social ou economicamente com o restante do continente.

A este acontecimento impactante, aparentemente sem explicação científica, precedem outros quatro igualmente sobrenaturais que unem as personagens com quem ocorreram os factos. Joana Carda, Joaquim Sassa, José Anaiço e Maria Guavaira, Pedro Orce e Cão, percorrem uma longa jornada em busca de algo que lhes desatormente as almas, a sentirem-se culpadas pelo ocorrido. (Wikipédia)


E assim é que começa o romance...


Quando Joana Carda riscou o chão com a vara de negrilho, todos os cães de Cerbère começaram a ladrar, lançando em pânico e terror os habitantes, pois desde os tempos mais antigos se acreditava que, ladrando ali animais caninos que sempre tinham sido mudos, estaria o mundo universal próximo de extinguir-se. Como se teria formado a arreigada superstição, ou convicção firme, que é, em muitos casos, a expressão alternativa paralela, ninguém hoje o recorda, embora, por obra e fortuna daquele conhecido jogo de ouvir o conto e repeti-lo com vírgula nova, usassem distrair as avós francesas a seus netinhos com a fábula de que, naquele mesmo lugar, comuna de Cerbère, departamento dos Pirinéus Orientais, ladrara, nas gregas e mitológicas eras, um cão de três cabeças que ao dito nome de Cerbère respondia, se o chamava o barqueiro Caronte, seu tratador. Outra coisa que igualmente não se sabe é por que mutações orgânicas teria passado o famoso e altissonante canídeo até chegar à mudez histórica e comprovada dos seus descendentes de uma cabeça só, degenerados. Porém, e este ponto de doutrina só raros o desconhecem, sobretudo se pertencem à geração veterana, o cão Cérbero, que assim em nossa portuguesa língua se escreve e deve dizer, guardava terrivelmente a entrada do inferno, para que dele não ousassem sair as almas, e então, quiçá por misericórdia final de deuses já moribundos, calaram-se os cães futuros para a toda restante eternidade, a ver se com o silêncio se apagava da memória a ínfera região. Mas, não podendo o sempre durar sempre, como explicitamente nos tem ensinado a idade moderna, bastou que nestes dias, a centenas de quilómetros de Cerbère, em um lugar de Portugal de cujo nome nos llembraremos mais tarde, bastou que a mulher chamada Joana Carda riscasse o chão com a vara de negrilho, para que todos os cães de além saíssem à rua vociferantes, eles que, repete-se, nunca tinham ladrado.



Nota. jangada = "paus que se juntam uns aos outros, em forma de estrado, para flutuar na água."



Crianças numa jangada na Indonésia