Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Amor violeta (Adélia Prado)



AMOR VIOLETA

O amor me fere é debaixo do braço,
de um vão entre as costelas.
Atinge meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco. Macero ele,
faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida.

Adélia Prado





quinta-feira, 22 de março de 2018

Das vantagens de ser bobo (Clarice Lispector)



DAS VANTAGENS DE SER BOBO

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando”.
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.
O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.
Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto estar tranquilo.
Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu.
Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás, não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.
E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector


bobo 5. Brasil. pessoa ingénua ou crédula

burro 8. figurado indivíduo estúpido ou teimoso, imbecil

Ter vez: ter cabimento, ensejo, oportunidade.



A noite, de Marc Chagall




quarta-feira, 21 de março de 2018

Dia Mundial da poesia com Eugénio de Andrade



Celebramos o Dia Mundial da Poesia com um dos mais belos poemas da literatura portuguesa, Adeus, de Eugénio de Andrade, e vamos lê-lo e ouvi-lo com dois sotaques: português e brasileiro. Ai, o desamor!


ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus


Eugénio de Andrade 






terça-feira, 13 de março de 2018

Uma onça-preta a nadar e umas onças-pintadas



"Em recente viagem de campo, o WWF registrou a aparição de um dos mais raros predadores da Amazônia, a onça-preta. Enquanto cruzavam o rio Tapajós, nas proximidades do Parque Nacional do Juruena, localizado ao norte do Mato Grosso e sudeste do Amazonas, técnicos da organização avistaram a espécie, que também atravessava o rio ao lado do barco.

As onças são os maiores felinos do continente americano. São fortes nadadoras e escaladoras e podem chegar a pesar até 130 kg e medir 2,4 metros. A cor de sua pele pode variar do amarelo com pintas, para o preto, que é a coloração mais rara. No Brasil, o animal está ameaçado de extinção. O que se sabe é que a espécie precisa de grandes áreas de florestas tropicais e extensões de margens de rios para sobreviver."

(março de 2015)



 E uma onças pintadas. Belíssimos animais todos!









quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Paulo Ito - "Você é super..."



Desenho de Paula Ito, brasileiro, no muro de uma rua de..., não me lembro agora. Como já sabem, se fosse em Portugal, o que a menina diz ao rapaz seria desta maneira:

Tu és super... superficial!





terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Presságio (Fernando Pessoa)



Um poema do poeta português Fernando Pessoa dito por uma jovem brasileira para o Dia dos Namorados.


PRESSÁGIO

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

24/04/1928




quarta-feira, 8 de junho de 2016

O pior analfabeto é o analfabeto político (Bertolt Brecht)



Leiam estas palavras e reflitam um pouco nelas. Estou a falar para os alunos do 4º ano, os mais velhos da ESO, é claro. Embora eles não possam votar ainda, podem ir cultivando a sua visão com estas palavras de Bertolt Brecht. E como no nosso País vamos ter eleições dentro em pouco...


O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht


Depois de lermos, escutamos as palavras do escritor alemão Bertolt Brecht (1898 - 1956). Digam-me lá se este homem é português. Reparem no sotaque dele.








quinta-feira, 21 de abril de 2016

Tocha olímpica foi acesa na Grécia



"A Chama Olímpica foi acesa esta manhã em Olímpia, a sede dos primeiros jogos olímpicos da história, na Grécia. O fogo ancestral acendeu a Tocha Olímpica, que será levada até ao Rio de Janeiro, onde permanecerá durante a realização dos Jogos Olímpicos, entre 5 e 21 de agosto.

A Tocha Olímpica vai cruzar o Brasil e passar por mais de trezentas cidades do país, ao longo de 90 dias."

Notícia da RTP de hoje, 21 de abril. Clicamos no link e vemos um breve vídeo com a notícia.







Atenas (Grécia), 21 abr (EFE).=. O acendimento da tocha olímpica aconteceu nesta quinta-feira nas ruínas da antiga Olímpia, uma cerimônia tradicional na qual se invoca o deus Apolo e se entrega a chama ao primeiro portador, que começa seu percurso pela Grécia antes de partir para o Brasil, país sede da competição nem agosto deste ano.





sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Bilhete (Mário Quintana)



Um bilhete é aqui "Escrito curto, em forma de carta sem cerimónia", não devemos pensar em dinheiro, é claro (a palavra em que alguns estão a pensar é... nota, uma nota de 10 euros, por exemplo)



Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Mário Quintana





segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Um diálogo sobre o tempo



Coisas que acontecem quando não temos nada, nada, sobre o que dizer alguma coisa. O estado do tempo ajuda muito...



Sobre o tempo...

Felipe - Tempo maluco né?
Gilberto - Putz, nem me fale
Felipe - Será que hoje chove?
Gilberto - Tá com cara né?
Felipe - Pois é...
Gilberto - Fogo...
Felipe - ...
Gilberto - ...
Felipe - Mas amanhã deve fazer sol.
Gilberto - Espero que sim né?


(Falta de assunto...)


Felipe Miranda em Diálogos de um amigo imaginário


Nota. O né? brasileiro é como o não é? português. Já vimos uma vez num Ai do escritor brasileiro Dalton Trevisan.




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Escreve-me! (Florbela Espanca)



Florbela Espanca foi uma poetisa (há quem prefira dizer "poeta" também às mulheres) portuguesa, que nasceu a 8 de dezembro de 1894 e morreu a 8 de dezembro de 1930. "A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade" lemos na Wikipédia.

Recita uma jovem brasileira, com muito sentimiento, mas, é pena, muito baixinho...


Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!

"Amo-te!"Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então... brandas... serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

Florbela Espanca 



Saudades


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Por não estarem distraídos (Clarice Lispector)

 Fotografia de Alek Lindus


Para celebrar o Dia do Livro vamos ler Clarice Lispector, uma grande amiga do nosso blogue.


POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. 

Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. 

Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. 

No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. 

Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. 

Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.


Clarice Lispector, escritora brasileira


NB. Apesar do que se diz no vídeo, "Por não estarem distraídos" não é escrita poética, poesia... Há muito de poesia e poético em Clarice Lispector, mas ela sempre escreveu em prosa. Leem-nos desde "Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas..."








quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Contadores de Histórias: A Mulher e a Cozinheira



Quadro do programa infantil Rá-Tim-Bum, da TV Cultura brasileira, onde se contavam histórias com os mais diversos tipos de objetos. A nossa aluna Caroline via este programa quando vivia no Brasil.

Aqui podem apreciar como é o sotaque do português do Brasil.

"Era um homem casado com uma mulher muito manhosa... " Assim é que começa a história. Manhoso diz-se de alguém que tem manha(s), mania(s), vício(s).


Pergunta: quais são os pratos que ela pede à cozinheira para lhe fazer, aproveitando que o marido não está em casa...?



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Samba pro Rafha (Yamandu Costa)


Para os guitarristas do 4º ano


"Esse violonista sensacional chamado Yamandu Costa, que junto com Raphael Rabello (e outros) revolucionaram e reacenderam em muitos, o amor pelo violão clássico. Neste vídeo, ele interpreta de forma genial sua música belíssima chamada Samba pro Rapha (homenagem a Raphael Rabello) tocada no Programa do Jô (11/08/2011)"

Texto do Youtube

Lá em cima temos uma versão breve da peça (minuto e tal); a seguir, uma de 4:28.






quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Congresso internacional do medo (Carlos Drummond de Andrade)


O poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31 de outubro de 1902 em Itabira, no estado de Minas Gerais. Há alguns anos que muitas pessoas celebram no Brasil o Dia D (de Drummond, é claro), uma prova de como é apreciado o que ele escreveu.

O poema "Congresso internacional do medo" foi publicado num momento muito difícil para o mundo: 1940. A Segunda Guerra Mundial tinha começado em setembro de 1939 com a invasão da Polónia pelo exército alemão.

Hoje estamos a viver também momento muitos difíceis, terríveis, inimagináveis há pouco tempo. Podemos voltar a ler este poema como se tivesse sido escrito hoje. Drummond é um clássico contemporâneo.


CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade




No vídeo podemos escutar o poema recitado. Apreciam como é diferente o sotaque do português brasileiro? 




sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Yamandu Costa a tocar violão



O músico brasileiro Yamandu Costa apresenta o seu último álbum, Continente. Ouvimo-lo tocar e falar, também outros músicos. reparem no sotaque deles. Alguém é capaz de me dizer de que parte do Brasil é que eles são?

Uma pista: eles são gaúchos.

Como no primeiro vídeo há mais palavras do que música, vejam neste como é que toca violão (assim dizem no Brasil) Yamandu Costa.

Agora não me lembro de que alunos do 3º e do 4 anos tocavam guitarra. Vai dedicado especialmente para eles: Sampa, uma composição de Caetano Veloso. No link do título podem escutar o baiano Caetano a cantá-la. S. Paulo é a capital do estado do mesmo nome. Caetano nasceu no estado da Bahia (com agá), cuja capital é S. Salvador.





terça-feira, 18 de junho de 2013

Humor brasileiro com legendas

 


Encontramo-nos no estado brasileiro de Minas Gerais. Alguém que nasceu nesse estado fez-nos o favor de traduzir para nós percebermos...

- Anteontem achei um quilo de carne lá dentro do forno! Comi tudo! Que azía que me deu! 
- Nossa Senhora, doido de mais! 
- Só uma pinga com mel para descer do estômago. 
- Isso mesmo. 
- Olha para você ver, guardei um pouco em baixo da cama para eu comer amanhã. 
- Virgem Maria, divide, aí!


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Todas as cartas de amor são ridículas (Fernando Pessoa)


Este poema já foi publicado no blogue há dois anos, mas podemos voltar a ler, e desta vez, escutar também. É um dos melhores poemas de Fernando Pessoa, que era um poeta e era muitos poetas ao mesmo tempo.

Lembram-se dos heterónimos dele? Vejam a mensagem anterior ou, banda desenhada feita com uns versos de Alberto Caeiro, um dos principais heterónimos: "Hoje de manhã saí muito cedo", que vimos no mês de maio.

O autor de "Todas as cartas de amor são ridículas" é o heterónimo Álvaro de Campos.

«Álvaro de Campos nasceu em Tavira,no dia 15 de Outubro de 1890, é engenheiro naval(por Glasgow), é alto (1,75 de altura), magro, cara rapada, cabelo liso. (…) pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à minha vida.»  De uma carta de Fernando Pessoa.


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, 21/10/1935


O heterónimo Álvaro de Campos, visto por Almada Negreiros



sábado, 4 de maio de 2013

Infinito ao meu redor - Documental sobre Marisa Monte



Marisa Monte é uma cantora, compositora, instrumentista e produtora musical brasileira de música pop e samba.