Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

"Quando um astronauta se lembra do 25 de Abril"


Esta notícia foi publicada ontem, dia 25, no diário Público:


Quando um astronauta se lembra do 25 de Abril

Thomas Pesquet viaja a bordo da Estação Espacial Internacional a 28 mil quilómetros por hora, mas nem por isso se esqueceu de celebrar "a mensagem democrática" dada pela Revolução dos Cravos.

A fotografia foi tirada no dia 9 de Janeiro de 2017, mostra Portugal continental de Norte a Sul, mas o astronauta francês Thomas Pesquet fez questão de partilhá-la hoje, no dia 25 de Abril, “para celebrar a Revolução dos Cravos”. 

“Bem, não é todos os dias que se pode ver um país inteiro numa única fotografia, especialmente um país que tem tanto para oferecer como Portugal!”, escreveu Pesquet numa mensagem em inglês na rede social de fotografia Flickr. A seguir, em francês, o engenheiro da Agência Espacial Europeia (ESA), actualmente a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em ingês), explica que habitualmente costuma captar fotografias mais aproximadas de Portugal (“que tem uma bela diversidade de paisagens”). Mas “para celebrar a Revolução dos Cravos e a sua mensagem democrática, o que podia ser melhor do que uma vista geral?”

Para além da fotografia de Portugal continental de lés-a-lés, Thomas Pesquet, que deve regressar à Terra em Junho deste ano, partilhou na sua conta de Flickr e Twitter uma vista sobre Lisboa, onde o “pulmão verde” da cidade ocupa um lugar central (segundo as especificações técnicas do Flickr, esta imagem terá sido tirada no dia 5 de Fevereiro de 2017).

Thomas Pesquet ✔ @Thom_astro Lisbonne et son poumon vert: le parc forestier de Monsanto, ici symbole d’écologie #Lisboa #RevoluçãodosCravos 🇵🇹 https://flic.kr/p/Ru24X7 11:06 AM - 25 Apr 2017 · Lisbon, Portugal 804 804 Retweets 1,832


(A notícia completa, no link)



terça-feira, 25 de abril de 2017

Palavras do Capitão Salgueiro Maia naquele dia



O homem que fez finalmente possível a chamada Revolução dos Cravos, o Capitão Salgueiro Maia (Castelo de Vide, 1944 - Lisboa, 1992), disse na madrugada de 25 de Abril de 74, na parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:

"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!"


(Dados da Wikipédia)



Grafite do ícone da Revolução dos Cravos, Fernando José Salgueiro Maia, na parede da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa





Cartazes das comemorações do 25 de Abril deste ano



Eis uma pequena amostra de cartazes das comemorações do 25 de Abril neste ano.



Borba








segunda-feira, 24 de abril de 2017

Santarém – Procuram-se Actores/Figurantes para Reconstituição da madrugada de 25 de Abril de 1974



Santarém – Procuram-se Actores/Figurantes para Reconstituição da madrugada de 25 de Abril de 1974

“Junte-se a nós e participe neste Espetáculo que marca o período da história de Portugal que depôs o regime ditatorial do Estado Novo e a passagem para a Democracia”. Este o convite que a Comissão das Comemorações Populares do 25 de Abril de Santarém, dirige a Actores/Figurantes, entre os 18 e os 40 anos, para participarem no Espetáculo de Reconstituição Encenada da noite/madrugada de 24/25 de Abril de 1974, que pretende recordar a saída da Coluna Militar, comandado por Salgueiro Maia, da Escola Prática de Cavalaria, que terá lugar na noite do dia 24 de Abril, integrado nas Comemorações do 43º aniversário do 25 de Abril, em Santarém.


Ribatejo (Publicado a 12 de fevereiro de 2017)


Revolução de 25 de Abril de 1974


Com a ajuda deste slideshare podemos ficar a saber desse episódio tão importante para o que hoje é Portugal: a Revolução do 25 de Abril.


Em baixo, um slideshare mais breve e, se calhar, mais prático, para vocês:





sexta-feira, 21 de abril de 2017

Uma vida de aventuras (Manuel António Pina)



Manuel António Pina (1943-2012), jornalista e escritor português, premiado em 2011 com o Prémio Camões. Um dos meus autores portugueses preferidos. Nestas linhas fala um bocado da vida dele, mas sobretudo da importância que os livros tiveram na sua vida.


Uma vida de aventuras

O meu nome é Manuel António Pina. Nasci numa terra com um grande castelo, nas margens de um rio onde, no Verão, passeávamos de barco e nadávamos nus. Chama-se Sabugal e fica na Beira Alta, perto da fronteira com Espanha. Quando era pequeno, olhava para o mapa e pensava que, por um centímetro, tinha nascido em Espanha.

Mais tarde descobri que as fronteiras são linhas inventadas que só existem nos mapas. E que o Mundo é só um e não tem linhas a separar uns países dos outros a não ser dentro da cabeça das pessoas.

A verdade é que, por causa da profissão de meu pai, vivi (depois de ter nascido, antes não me lembro…) em muitas diferentes terras e, por isso, não tenho só uma terra, tenho muitas. Uma delas é o Porto, onde vivi mais tempo do que em qualquer outra, onde nasceram as minhas filhas e onde provavelmente morrerei um dia.

Como fui durante muitos anos jornalista, mais de trinta, viajei um pouco por todo o Mundo, da América ao Japão, da China ao Brasil, da África ao Alaska. E como sou escritor tenho viajado também por dentro de mim mesmo. E por dentro das palavras. Assim, apesar de ter nascido numa terra com um grande castelo, nas margens de um pequeno rio, não pertenço a lugar nenhum, ou pertenço a muitos lugares ao mesmo tempo. Alguns desses lugares só existem na minha imaginação. Porque a imaginação, descobri-o também, é o modo mais fantástico que há de viajar.

De facto, os lugares mais distantes e mais belos onde eu alguma vez estive não vêm nos mapas. Quando tinha a tua idade, viajei pelo fundo dos mares, e desci ao centro da Terra, e fui à Lua, e aos pólos, e ao passado, e ao futuro, dentro dos livros de Júlio Verne, de Jack London, de Emílio Salgari. À noite, quando todos se iam deitar e a casa silenciosamente adormecia, partia eu para as mais emocionantes aventuras, às vezes só regressando já de madrugada. Combati nos mares do Sul contra piratas e flibusteiros ao lado de Sandokan; persegui Moby Dick, a baleia branca, no tempestuoso barco do Capitão Acab; desci o Mississipi na jangada de Huckleberry Finn; cacei búfalos nas imensas pradarias do Oeste; e, com Tintin fui preso e condenado à morte em Chicago, na China, nos Andes, e salvei-me sempre no último momento, e com ele e com o Capitão Haddock, e com a cadela Milou, perdi-me nas neves do Tibet e nos desertos da Arábia, e fui à Lua e voltei…

Como vês, tenho tido uma vida emocionante e aventurosa. Hoje lembro-me das grandes viagens e das aventuras que todas as noites começavam no meu quarto e tenho medo de não ser já capaz de vencer tantos perigos e tantas emoções. De qualquer maneira, continuo a ter livros na mesa de cabeceira, e quando saio de casa gosto sempre de levar um comigo. Porque me pode apetecer voltar a partir…

Manuel António Pina


(Fonte: "Netescrit@ - O que eu quero é que eles gostem de ler e de escrever")



terça-feira, 18 de abril de 2017

A saudade mata a gente (Maria Bethânia + Seu Jorge)



Voltamos com a saudade, de que falámos pouco antes das férias da Páscoa... Reparem no título. Esse "a gente" não são os outros, somos nós, sou eu... (na nossa língua seria "La saudade nos mata" ou "La saudade me mata").

A dor de não ter connosco a pessoa amada, "que se foi embora", ai! Duas ótimas versões de Maria Bethânia e de Seu Jorge.


A SAUDADE MATA A GENTE

Fiz meu rancho na beira do rio
Meu amor foi comigo morar
E na rede nas noites de frio
Meu bem me abraçava pra me agasalhar

Mas agora, meu Deus, foi-se embora
Vai-se embora e não sei se vai voltar
A saudade nas noites de frio
Em meu peito vazio virá se aninhar

A saudade é dor pungente, morena
A saudade mata a gente, morena
A saudade é dor pungente, morena
A saudade mata a gente






sexta-feira, 7 de abril de 2017

Nini dos meus quinze anos (Paulo de Carvalho)


Uma velha canção portuguesa de Paulo Carvalho. Tem a sua piada, não tem? A letra foi escrita pelo poeta Fernando Assis Pacheco. E dá para os alunos do 4º ano fazerem uma revisãozinha do Pretérito Imperfeito, e para os alunos do 3º ano terem uma ideia dele. Vejam só! 😊 Há tantos...

E despedimo-nos até ao regreso das férias da Páscoa! Boas férias, e leiam, faz bem à saúde!


CHAMAVA-SE NINI

Chamava-se Nini
Vestia de organdi
E dançava (dançava)
Dançava só pra mim
Uma dança sem fim
E eu olhava (olhava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Que lá no baile não havia outro igual
E eu ia para o bar
Beber e suspirar
Pensar que tanto amor ainda acabava mal

Batia o coração mais forte que a canção
E eu dançava (dançava)
Sentia uma aflição
Dizer que sim, que não
E eu dançava (dançava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda sempre assim
Nini dançava só pra mim

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda, é sempre assim
Nini dançava só pra mim