Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A espada de Dâmocles




A espada de Dâmocles é um símbolo do perigo iminente (reparem que, em português, é Dâmocles, palavra esdrúxula; embora por vezes também se diga Damocles, palavra grave, como na nossa língua). De certeza que já ouviram esta expressão mais de uma vez. Mas qual é a origem dela?


Era uma vez, um rei chamado Dionísio, monarca de Siracusa, a cidade mais rica da Sicília. Vivia num palácio cheio de coisas bonitas, e atendido por muitos criados.

Por ser rico e poderoso, muitos siracusanos invejavam-lhe a sorte. Dâmocles estava entre eles. Era dos melhores amigos de Dionísio e dizia-lhe frequentemente que ele devia ser o homem mais feliz do mundo porque tinha tudo o que se podia desejar.

Dionísio foi ficando cansado de ouvir esse tipo de conversa e perguntou ao amigo se queria trocar de lugar com ele. Dâmocles aceitou desfrutar das riquezas e prazeres de Dionísio por um dia apenas porque seria para ele a felicidade maior.

No dia seguinte, Dâmocles foi levado ao palácio e todos os criados reais lhe puseram na cabeça as coroas de ouro. Ele sentou-se à mesa na sala de banquetes e foi-lhe servida uma óptima refeição. Nada lhe faltou e sentiu-se o homem mais feliz do mundo.

Mas de repente Dâmocles deixou de sorrir e empalideceu. Suas mãos estremeceram. Esqueceu-se da comida, do vinho, da música. Só quis fugir dali, para bem longe do palácio, pois viu que pendia bem acima de sua cabeça uma espada, presa ao tecto por um único fio de crina de cavalo. A lâmina brilhava, apontando diretamente para seus olhos. Ele foi levantando-se, pronto para sair correndo, mas deteve-se temendo que um movimento brusco pudesse fazer cair a espada em cima dele. Ficou paralisado.

-O que foi, meu amigo? - perguntou Dionísio - Parece que perdeste o apetite.

-Essa espada! Essa espada! - disse o outro, num sussurro - Não estás a ver?

-É claro que estou. Vejo-a todos os dias. Está sempre pendendo sobre minha cabeça e há sempre a possibilidade de alguém ou alguma coisa partir o fio. Um dos meus conselheiros pode ficar enciumado do meu poder e tentar matar-me. As pessoas podem espalhar mentiras a meu respeito. Pode ser que um reino vizinho envie um exército para me tirar o trono. Ou então, posso tomar uma decisão errônea que leve à minha derrocada. Quem quer ser líder precisa estar disposto a aceitar esses riscos. Eles vêm junto com o poder, percebes?

-É claro que percebo! - disse Dâmocles - Vejo agora que eu estava enganado e que tu tens muitas coisas em que pensar além da tua riqueza e fama. Por favor, assume o teu lugar e deixa-me voltar para a minha casa.

Até o fim de seus dias, Dâmocles não voltou a querer trocar de lugar com o rei, nem por um momento sequer.

(Adaptado de James Baldwin)


Teatro grego de Siracusa



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Repito e repito: Cuidadinho con MAS e MAIS



Recupero aqui duas mensagens já publicadas numa só. Mais uma vz, por favor, reparem na diferença que há entre estas duas palavras: mas e mais! Até já vimos com a ajuda do inglês...





Reparem!

mas (conjunção) - contradição

Gostava de ir ao cinema hoje à tarde, mas não posso.

Ele diz que faz isso, mas depois não faz.


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mais (advérbio) - contrário de menos

Esta sopa está ótima! Posso comer mais?

Deves estudar mais, João.







sexta-feira, 4 de março de 2016

Relemos os direitos do leitor de Gabriel Pennac?

Giuseppe  Arcimboldo



Bom, relemos ou lemos pela primeira vez, não faz mal. Este post foi publicado em 2013, e acho que vão gostar de alguns destes direitos do leitor que escreveu o autor francês Gabriel Pennac no seu livro Como um romance. É claro que algum deles não serve para a escola: por exemplo, o primeiro.

Na nova unidade do nosso manual temos cinema e livros adaptados para o cinema. Foi por isto que me lembrei das palavras de Pennac.


1) O direito de não ler.

2) O direito de pular páginas.

3) O direito de não terminar um livro.

4) O direito de reler.

5) O direito de ler qualquer coisa.

6) O direito de amar os "heróis" dos romances.

7) O direito de ler em qualquer lugar.

8) O direito de ler uma frase aqui e outra ali.

9) O direito de ler em voz alta.

10) O direito de não falar do que se leu.



Ilustração de Bernardo Carvalho




sexta-feira, 6 de março de 2015

O que se passa nestes quadradinhos do Quino?



O que se passa nestes quadradinhos? A mãe parece um bocado preocupada com a filha. Porquê? Porque será que ela, afinal, parece aliviada? Descreve a história. O autor é o argentino Quino.


TPC para os alunos do 4º ano




quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O que é uma cábula?




Esta mensagem não é para encorajar os alunos a usarem cábulas nos exames, é claro, mas simplesmente para conhecerem os significados desta palavra em português. Lembrei-me dela porque houve uma aluna do 4º ano que foi surpreendida pelo professor com uma cábula escrita na mão durante a prova do Primeiro Período. Vejamos o que o Dicionário da Academia das Ciências nos diz:


cábula (1)

s.f 1. Falta de assiduidade do estudante às aulas e de aplicação no estudo ≈ CABULICE. 2. Manha ou ardil com o fim de se esquivar ou fugir a obrigações ou incumbências. Usou de cábula para não ser o escolhido para o desempenho daquela tarefa desagradável. 3. Apontamento escrito, preparado pelo estudante, com o fim de o utilizar fraudulentamente em prova, em trabalhos escolares.

cábula (2)
s. m. e f. 1. Estudante pouco aplicado, pouco estudioso, pouco assíduo às aulas. O filho é um cábula, só estuda mesmo em cima dos exames. 2. Pessoa manhosa, ardilosa, que se esquiva de cumprir as suas obrigações.



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Para praticar o Infinitivo Pessoal



Vamos praticar o infinitivo pessoal. O mais fácil primeiro. Convirtam as frases seguintes com que mais o presente do conjuntivo usando o infinitivo pessoal.

Reparem: o que não pode ficar nas novas frases, desaparece; e reparem também na pessoa gramatical.

É melhor que compremos estes livros e não esses.
É importante que os senhores leiam tudo com muita atenção.
Antes de que saias de casa, telefona ao Miguel.
Até que não digas o que vais fazer, eu não digo nada.
O exercício número 4 é para que o façam agora.

Agora, um pouco mais difícil. Traduzam as seguintes frases em espanhol para português usando o infinitivo pessoal. Cuidado com o que e as pessoas gramaticais, o sujeito do infinitivo!

Com expressões impessoais como É melhor / É possível / É provável / É bom...

Es mejor que hagas eso hoy y no mañana.
Es posible que tus hermanos vengan a comer pasado mañana.
Es probable que nosotros tengamos que hacer todo.

Com preposições e locuções prepositivas: ao; para; por; até; antes de; depois de; apesar de; no caso de...

Nos quedamos aquí hasta que vosotras terminéis eso.
Al llegar a Lisboa, escríbeme una postal bonita.
Esta película es para que la veas mañana.
En el caso de que ustedes vendan la casa,  avísenme, por favor.

Lembrem-se das desinências deste tempo tão curioso da língua portuguesa, iguais em todos os verbos, quer sejam regulares, quer sejam irregulares, pois parte-se sempre do Infinitivo Impessoal, A primeira e terceira pessoas do singular ficam sem desinência nenhuma:

Eu falar /dizer, etc.
Tu falares /dizeres, etc.
Ele, ela, você... falar / dizer, etc.
Nós falarmos / dizermos, etc.
Vocês falarem / dizerem, etc.
Eles, elas falarem / dizerem, etc.


Fotografia do blogue Burro velho não aprende línguas, de uma mensagem onde se fala do Infinitivo Pessoal.



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Conto de fadas para princesas do século 21 (Luís Fernando Veríssimo)



Recuperamos esta interpretação de um velho conto que escreveu Luís Fernando Veríssimo porque vem mesmo a calhar para os alunos do 3º ano. Ainda há quem pense que o lugar das mulheres é o lar, e pronto. Não faz mal se os veteranos do 4º ano voltam a lê-lo. Lembram-se dele?


Este conto, que é uma nova versão do encontro entre a princesa e o sapo do conto tradicional, é da autoria do brasileiro Luís Fernando Veríssimo. Cuidado com sapos destes, meninas (ou rãs, tanto faz).


Conto de fadas para princesas do século 21

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse:

- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre…

Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautées, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:

- Nem morta!