Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.
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quinta-feira, 8 de março de 2018

Não, isto não é normal (Editorial do jornal Público, 8 de março)

Adriana Mosquera


Não, isto não é normal

Os direitos das mulheres são direitos humanos. Esta frase é tão simples e tão óbvia e, no entanto, ainda há quem queira fazer de conta que não a percebe.
8 de Março de 2018

Diogo Queiroz de Andrade

Os direitos das mulheres são direitos humanos. Esta frase é tão simples e tão óbvia e, no entanto, ainda há quem queira fazer de conta que não a percebe. Lutar pelos direitos das mulheres, ser feminista, é defender a dignidade da nossa sociedade — e não é normal que não seja assim.

Só não vê quem não quer: as notícias que temos hoje mostram outra vez quão escandalosa ainda é a diferença de tratamento das mulheres. Saber que em Portugal a crise foi aproveitada para aumentar a desigualdade nos salários em função do género ou que somos recordistas na diferença de pagamento a mulheres com mais de 65 anos deveria envergonhar-nos a todos, a começar pelos homens que mandam. Porque são sempre homens que mandam e isso é parte importante do problema – não porque são homens, mas porque são homens que não entendem o feminismo como uma causa de todos os seres humanos.

A custo, lá se vai conseguindo fazer passar legislação que promove a igualdade. Falta o resto: falta mudar as mentalidades, algo que só se conseguirá com a educação para a cidadania. E se há algo que justifica que ainda hoje exista um dia da mulher, é precisamente o risco de que esses direitos adquiridos nos últimos anos ainda sejam revertidos – porque ainda vivemos numa sociedade em que se acha normal e racional remeter as mulheres a um papel menor.

Mas não, não é normal. Não é normal que se aceite que as mulheres recebam menos. Não é normal que se acolha como natural a ausência de mulheres no topo das empresas do PSI 20. Não é normal que se encolham os ombros com as vergonhosas estatísticas de violência doméstica que temos para mostrar. Não é normal que se aceitem as alarvidades de algumas sentenças que saem dos tribunais deste país.

Quem pactua com este estado de coisas não é humanista. E em Portugal, infelizmente, ainda há algumas pessoas assim. Este problema tem pouco a ver com a direita e com a esquerda e muito a ver com a postura de cada um face à sociedade. E passa por todos nós, cidadãos, sermos muito mais exigentes com os nossos representantes sociais. Temos de aumentar a nossa cultura de exigência face aos servidores públicos, de forma a melhorar o ar que respiramos em democracia. Seremos todos melhores numa sociedade mais justa, mais igual, mais paritária. Porquê? Voltamos ao início: porque os direitos das mulheres são direitos humanos.

Diogo Queiroz de Andrade

(Jornal Público, 8 de março de 2008)


Firoozeh Mozzafari, do Irão






Cristina Sampaio


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O dia de hoje em Espanha, visto desde o jornal português Público:

Em Espanha quase cinco milhões de trabalhadores pararam

No ano dos movimentos #metoo e Time's Up, o Dia Internacional da Mulher suscita um debate global sobre as mudanças que ainda são urgentes e o fim da linha das agendas sexistas.



terça-feira, 19 de abril de 2016

Projeto em Lisboa transforma idosos em grafiteiros



Lamento, isto ficou esquecido na pasta dos rascunhos do blogue. É de outubro do ano passado. Importam-se?

Reparem na palavra idosos ("ancianos", "personas mayores" em espanhol)


PROJETO EM LISBOA TRANSFORMA IDOSOS EM GRAFITEIROS

publicado em artes e ideias por Rafaela Werdan

'Lata 65' é o nome do projeto que leva o conhecimento do grafite aos "jovens" de mais de 65 anos. Com oficinas divertidas, os idosos aprendem sobre história da arte e tem aulas práticas de produção dos próprios stencils para que possam colocar as "mãos na lata".

Terceira idade é considerada a idade ultrapassada. É a idade do descanso e do ócio quase que absoluto. São destacadas para essa idade atividades que não mexam muito com sua criatividade e que os façam acreditar que são incapazes de ambicionar fazer algo mais ousado. Com isso, os idosos frequentemente parecem estar desconectados do mundo presente. A juventude se distancia cada vez mais ideologicamente de seus antecessores por eles resistirem em aprender algo novo para que possam continuar a se lapidar junto ao mundo.




A verdade é que, talvez, lhes faltem oportunidades que os façam sentir-se úteis e ativos novamente. O projeto luso 'Lata 65', criado pela arquiteta Lara Seixo Rodrigues, de 36 anos, vem mostrando que não há idade para arte, e que através dela as gerações mais velhas e mais jovens podem se conectar novamente de maneira leve e divertida.

"Costumo dizer que a lata de spray de tinta tem algo de mágico que não sei explicar. Todo mundo gosta de experimentar e o idoso não é exceção. Claramente o "Lata 65" se apresenta como um projeto de inclusão e integração deste grupo etário na própria cidade e os desperta para a arte na sua generalidade", disse Lara.

O projeto foi criado em 2012, quando Lara, que também é co-fundadora do WOOL (Festival de Arte Urbana da Covilhã, em Portugal), foi desafiada a fazer um workshop de arte urbana para a 3ª idade, visto que as pessoas que mais se mostravam curiosas e interessadas nesse tipo de arte em outros eventos eram os idosos. Nas oficinas que serão realizadas nos próximos meses, centenas de idosos já demonstraram interesse.




A notícia completa em © obvious

Página do Projeto Lata 65