Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Mais uma citação de Oscar Wilde

Caricatura de André Carrilho


Não quero adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.

Oscar Wilde

Aqui, uma breve citação em bilingue.

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde, ou simplesmente Oscar Wilde (Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, 16 de outubro de 1854 — Paris, 30 de novembro de 1900) foi um influente escritor, poeta e dramaturgo britânico de origem irlandesa. Depois de escrever de diferentes formas ao longo da década de 1880, tornou-se um dos dramaturgos mais populares de Londres, em 1890. Hoje ele é lembrado por seus epigramas e peças.

(Wikipédia)

 


Uns versos de Rainer Maria Rilke


O trabalho dos olhos foi feito. Agora, faz o teu coração trabalhar as imagens aprisionadas dentro de ti.

Rainer Maria Rilke





segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Mais uma citação de Jean Cocteau



No original francês, as palavras de Jean Cocteau são estas:

“Le poète est un mensonge qui dit toujours la vérité.”



terça-feira, 7 de maio de 2019

Umberto Eco e a leitura


A leitura é uma necessidade biológica da espécie. Nenhum ecrã e nenhuma tecnologia conseguirão suprimir a necessidade de leitura tradicional.

Umberto Eco


Quem foi Umberto Eco? Lemos aqui: "Umberto Eco: Qual é a principal função da biblioteca"


Ele é muito conhecido por um romance, que posteriormente foi um filme de grande sucesso: O nome da rosa. Eis um trecho desse romance na sua tradução portuguesa, e a seguir na língua original, o italiano:

Era uma bela manhã de fim de Novembro. De noite tinha nevado um pouco, mas a fresca camada que cobria o terreno não era superior a três dedos. Às escuras, logo depois de laudas, tínhamos ouvido missa numa aldeia do vale. Depois tínhamo-nos posto a caminho para as montanhas, ao despontar o Sol.

Como trepávamos pelo carreiro íngreme que serpenteava em torno do monte, vi a abadia.


“Era una bella mattina di fine novembre. Nella notte aveva nevicato un poco, ma il terreno era coperto di un velo fresco non più alto di tre dita. Al buio, subito dopo laudi, avevamo ascoltato la messa in un villaggio a valle. Poi ci eravamo messi in viaggio verso le montagne, allo spuntar del sole.

Come ci inerpicavamo per il sentiero scosceso che si snodava intorno al monte, vidi l’abbazia.” 






terça-feira, 2 de abril de 2019

Duas citações de Jean Cocteau


Em francês: Le style est une manière simple de dire des choses compliquées.

É claro que não estava a pensar na moda o autor francês...



Em francês: Les rêves sont la littérature du sommeil.


Jean Cocteau (1889 - 1963)  foi um poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo, actor, e encenador de teatro francês.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Pequenos prazeres da vida (Filipe Remédios + Bertolt Brecht)



Estes são alguns dos "pequenos prazeres da vida" de Filipe Remédios. Se calhar, alguns deles serão um pouco esquisitos para vocês...

Vamos aproveitar para que façam uma lista dos vossos. Esclareçamos em primeiro lugar as dúvidas de vocabulário. De certeza há várias palavras que vocês não conhecem. Vejamos quais são os vossos "pequenos prazeres" mais originais!

Ah, para completar, eis um poema  de um dos maiores autores da literatura alemã de sempre. Pode servir de ajuda, e até podiam escrever a vossa lista como se fosse um poema.


PRAZERES

O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.

Bertolt Brecht 



Bertolt Brecht (Augsburg, 1898 - Berlim Leste, 1956) foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão.


 "Sou amável com todos", diz esse rapaz em alemão





segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Quem fica em casa quando a luta começa (Bertolt Brecht)


Eram tempos muito difíceis aqueles em que escrevia o poeta alemão Bertolt Brecht (1898 - 1956)

Quem fica em casa quando a luta começa
E deixa os outros combater p'la sua causa
Tem de ter cuidado: pois
Quem não partilhou da luta
Partilhará da derrota.
Nem sequer evita a luta
Quem evita a luta: pois
Lutará p'la causa do inimigo
Quem não lutou p'la própria causa.


Porta de Brandeburgo, em Berlim, ao terminar a Segunda Guerra Mundial (1945)




quinta-feira, 26 de abril de 2018

Leminski, dito por Arnaldo Antunes, para a Jimena


A Jimena, da turma de 4º A, venceu o primeiro prémio de poesia do Dia da Escola. Uma aluna a escrever poesia... Ótimo! Esta mensagem vai dedicada para ela. O músico, poeta e compositor brasileiro Arnaldo Antunes lê para nós um poema do curitibano Paulo Leminski (1944 - 1989). E como acho que já sabe toda a gente, o você brasileiro é tu em Portugal.


"A poesia de Paulo Leminski promove — com inteligência e sensibilidade — o encontro de muitos contrários: o rigor e a emoção, a erudição e a leveza, a vanguarda e o pop. Não por acaso Leminski é um dos autores que, tendo florescido nos anos 1970, continua influenciando poetas e letristas das novas gerações."

Revista Bula:  "15 melhores poemas de Paulo Leminski"


Por outro lado, eu queria recordar aqui as famosas palavras do poeta francês Arthur Rimbaud (1854 - 1891) numa carta que escreveu quando tinha apenas 17 anos: Je est un autre, quer dizer, "Eu é um outro". Percebem? Não "Eu sou um outro", mas "Eu é um otro", que é bem diferente. Para pensar um bocado.


 Rimbaud, aos 17 anos


CONTRANARCISO

em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós





Paulo Leminski visto pelo cartunista Fernando Carvall




quarta-feira, 11 de abril de 2018

O alfaite de Ulm (Bertolt Brecht)



O ALFAIATE DE ULM
(Ulm, 1592)

Bispo, eu sei voar
Disse ao bispo o alfaiate.
Olhe como eu faço, veja!
E com um par de coisas
Que bem pareciam asas
Subiu ao grande telhado da igreja.

O bispo não ligou.
Isso é um disparate
Voar é para os pássaros
O homem nunca voou
Disse o bispo ao alfaiate.

O alfaiate faleceu
Disseram ao bispo as pessoas.
Era tudo uma farsa.
Sua asa partiu
E ele se destruiu
Sobre o duro chão da praça.

Façam tocar os sinos
Aquilo foi invenção
Voar só para os pássaros
Disse o bispo aos meninos
Os homens nunca voarão.

Bertolt Brecht




terça-feira, 28 de novembro de 2017

Uma citação de Jean Cocteau

Christian Bérard, Jean Cocteau, 1928


Uma garrafa de vinho meio vazia está meio cheia. Mas uma meia mentira nunca será uma meia verdade.

Em francês: Une bouteille demi-vide est aussi une bouteille demi-pleine; mais un demi-mensonge ne sera jamais une demi-vérite.


Jean Cocteau (1889 - 1963), foi um poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo, actor, e encenador de teatro francês.




quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Carpe diem



Carpe diem é uma frase em latim de um poema de Horácio (65 - 8 a.C.) e é popularmente traduzida para "colhe o dia" ou "aproveita o momento". É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro.

dum loquimur, fugerit invida aetas: 
carpe diem quam minimum credula postero.

Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso;
colhe o dia, quanto menos confia no de amanhã.

(Literalmente, esta frase significa Colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro.)


A expressão "carpe diem" aparece em destaque no filme "Clube dos Poetas Mortos", a lembrar às personagens - estudantes - que a vida é muito breve e deve ser vivida quotidianamente.

(Fonte: Infopédia)


Carpe diem, pois, rapazes e raparigas!






quinta-feira, 1 de junho de 2017

O exame (Franz Kafka)

Um joven Franz Kafka


O Exame

Sou um criado, mas não há trabalho para mim. Sou medroso e não me ponho em evidência; nem sequer me coloco em fila com os outros, mas isto é apenas uma das causas de minha falta de ocupação; também é possível que minha falta de ocupação nada tenha a ver com isso; o mais importante é, em todo caso, que não sou chamado a prestar serviço; outros foram chamados e não fizeram melhor trabalho do que eu; e talvez nem mesmo tenham tido alguma vez o desejo de serem chamados, enquanto que eu o senti, às vezes, muito intensamente.

Assim permaneço, pois, no catre, no quarto de criados, o olhar fixo nas vigas do teto, durmo, desperto e, em seguida, torno a adormecer. Às vezes cruzo até a taverna onde servem cerveja azeda; algumas vezes por desfastio emborquei um copo, mas depois volto a beber. Gosto de sentar-me ali porque, atrás da pequena janela fechada e sem que ninguém me descubra, posso olhar as janelas de nossa casa. Não se vê grande coisa; sobre a rua, dão, segundo creio, apenas as janelas dos corredores, e além do mais, não daqueles que conduzem aos aposentos dos senhores; é possível também que eu me engane; alguém o sustentou certa vez, sem que eu lho perguntasse, e a impressão que se colhe, ao olhar para a fachada, assim o confirma. Apenas de vez em quando são abertas as janelas, e, quando isso acontece, é um criado que as abre, o qual, então, se inclina também sobre o parapeito para olhar para baixo um instantinho. São, pois, corredores onde não se pode ser surpreendido. Além do mais não conheço esses criados; os que são ocupados permanentemente na parte de cima, dormem em outro lugar; não no meu quarto.

Uma vez, ao chegar à hospedaria, um hóspede ocupava já o meu posto de observação; não me atrevi a olhar diretamente para onde ele estava a olhar e quis voltar-me sair pela porta, em seguida. Mas o hóspede chamou-me e, assim, então, percebi que era também um criado, que eu já tinha visto em qualquer parte, embora nunca tenha falado com ele.

- Por que queres fugir? Senta-te aqui e bebe. Eu pago.

Sentei-me, pois. Perguntou-me algo, mas não pude responder-lhe; não compreendia sequer as perguntas. Pelo menos eu disse:

- Talvez agora te aborreça o fato de me teres convidado. Vou-me, pois.

E quis erguer-me. Mas ele estendeu a mão por cima da mesa e manteve-me no meu lugar.

- Fica aí, disse. Isto era apenas um exame. Aquele que não responder às perguntas está aprovado no exame.

Franz Kafka



Franz Kafka (1883 - 1924)2 foi um dos maiores escritores de ficção do século XX. Kafka era de origem judaica, nasceu em Praga, Áustria-Hungria (atual República Checa), e escrevia em língua alemã. O conjunto de seus textos — na maioria incompletos e publicados postumamente —  situa-se entre os mais influentes da literatura ocidental





terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Uma citação de Dostoiévski (e mais alguma coisa)



Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (em russo: Фёдор Миха́йлович Достое́вский, Fyodor Mikháylovich Dostoyévsky; 1821 — 1881) foi um escritor, filósofo e jornalista russo, considerado um dos maiores romancistas da história e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos.

(Wikipédia)

Nota. Não é preciso reparar muito para apreciar que o russo tem um alfabeto diferente do nosso, latino, pois não? Chama-se alfabeto cirílico.





Alguém é capaz de me dizer o que esta escrito cá em baixo?






quarta-feira, 8 de junho de 2016

O pior analfabeto é o analfabeto político (Bertolt Brecht)



Leiam estas palavras e reflitam um pouco nelas. Estou a falar para os alunos do 4º ano, os mais velhos da ESO, é claro. Embora eles não possam votar ainda, podem ir cultivando a sua visão com estas palavras de Bertolt Brecht. E como no nosso País vamos ter eleições dentro em pouco...


O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht


Depois de lermos, escutamos as palavras do escritor alemão Bertolt Brecht (1898 - 1956). Digam-me lá se este homem é português. Reparem no sotaque dele.








quarta-feira, 13 de abril de 2016

Saudade (Pablo Neruda)



Cá temos um poema na nossa língua sobre a saudade escrito pelo poeta chileno Pablo Neruda (1904 - 1973). A saudade, esse mistério da alma portuguesa...

Pablo Neruda foi um poeta chileno, bem como um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile na Espanha e no México. Neruda recebeu o Nobel de Literatura em 1971. (Wikipédia)



SAUDADE

Saudade -Qué será?... yo no sé... lo he buscado
en unos diccionarios empolvados y antiguos
y en otros libros que no me han dado el significado
de esta dulce palabra de perfiles ambiguos.

Dicen que azules son las montañas como ella,
que en ella se oscurecen los amores lejanos,
y un noble y buen amigo mío (y de las estrellas)
la nombra en un temblor de trenzas y de manos.

Y hoy en Eça de Queiroz sin mirar la adivino,
su secreto se evade, su dulzura me obsede
como una mariposa de cuerpo extraño y fino
siempre lejos -tan lejos!- de mis tranquilas redes.

Saudade... Oiga, vecino, ¿sabe el significado
de esta palabra blanca que como un pez se evade?
No... Y me tiembla en la boca su temblor delicado.
Saudade...




segunda-feira, 4 de abril de 2016

Uma citação de Saint-Exupéry



Antoine de Saint-Exupéry (1900 — 1944) foi um escritor, ilustrador e piloto francês. É o autor de O Principezinho (Le petit Prince, 1943). O título no Brasil é O Pequeno Príncipe.

É possível que muitos de vocês tenham lido algum excerto do livro. Para além das palavras em baixo, muito conhecidas, deixo-vos a dedicatória do livro. Em português, com certeza.



Os meninos que me perdoem por dedicar este livro a uma pessoa grande. Mas tenho uma desculpa de peso: essa pessoa grande é o melhor amigo que eu tenho no mundo inteiro. E tenho outra desculpa: essa pessoa grande é capaz de perceber tudo, mesmo os livros para crianças. E tenho outra desculpa, a terceira: essa pessoa grande mora em França e em França passa fome e passa frio. Bem precisa de ser consolada. Mas se todas estas desculpas não chegarem, então, gostava de dedicar este livro à criança que essa pessoa grande já foi. Porque todas as pessoas grandes já foram crianças. (Há é poucas que se lembram disso.)

Portanto, a minha dedicatória vai passar a ser assim:

Para Léon Werth quando ele era pequeno.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

30 de setembro - Dia Internacional do Tradutor



Já passou o dia 30 de setembro, mas foi há muito pouco, apenas na semana passada. É por isto que vos deixo aqui esta mensagem.

E para ilustrar, pode servir-nos um breve texto, uns versos do grande poeta alemão Bertolt Brecht (1898 - 1956). Se não sabemos alemão, lemos na tradução portuguesa, por exemplo:

Isto foi o que Brecht escreveu em tempos muito difíceis do século XX:

Ich, der Überlebende

Ich weiß natürlich: einzig durch Glück
Habe ich so viele Freunde überlebt. Aber heute Nacht im Traum
Hörte ich diese Freunde von mir sagen: »Die Stärkeren überleben«
Und ich haßte mich.


E lemos em português, na traduçao de Modesto Carone Netto:

Eu, o sobrevivente

Certamente sei: só por sorte
Sobrevivi a tantos amigos. Mas hoje à noite, em sonho,
Ouvi estes amigos dizerem de mim: "Os mais fortes sobrevivem."
E odiei-me.





sexta-feira, 22 de maio de 2015

Luigi Pirandello escreveu isto



"A vida está cheia de uma infinidade de absurdos que nem sequer precisam de parecer verosímeis porque são verdadeiros."

Luigi Pirandello


Luigi Pirandello  foi um dramaturgo, poeta e romancista italiano, que nasceu na Sicília. Recebeu o Nobel de Literatura de 1934.