Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Celeste Caeiro: A flor que deu o nome à Revolução

D. Celeste Caeiro


Fizemos este belo achado no blogue Vamos falar de Abril, da Escola Básica nº 75 da Madalena, em Lisboa: a história de como o cravo se tornou o símbolo da Revolução que fizeram os chamados Capitães de Abril, e como deste modo ficou conhecida mundialmente como a Revolução dos Cravos.


"No dia 25 de Abril de 1974, o restaurante onde eu trabalhava festejava o seu primeiro aniversário", relembrava D. Celeste. "Como os patrões queriam fazer uma festa, o gerente foi até ao Mercado da Ribeira no dia anterior para comprar flores. Podia ter comprado rosas, mas não. Comprou cravos".

Este é o início de uma das histórias mais bonitas da nossa Revolução que, por mero acaso, tornou-se num símbolo de esperança, paz e amizade, hoje acarinhado por todos os portugueses.

Escutada com atenção pelos curiosos alunos, D. Celeste continuou:

“No dia 25 de Abril desse ano, como era habitual, apanhei o transporte para a Rua Braamcamp, a rua do restaurante. A casa nesse dia não abriu. Dizia o gerente que não sabia o que estava a acontecer, talvez um golpe de Estado e que, por ser perigoso, ninguém saía.

- Vão para casa, mas antes, passem pelo restaurante para buscar as flores. É uma pena ficarem ali e murcharem, pediu o dono.

E assim foi. Juntas, a D. Celeste e a sua colega Conceição foram até ao armazém, apanharam um molhinho de cravos brancos e vermelhos, colocaram-no debaixo do braço e saíram.

Indignada com este aparato, D. Celeste pensou para si mesma: “ Está a dar-se uma revolução e eu vou para casa?”. Apanhou o metro para o Rossio e dirigiu-se ao Chiado onde se cruzou imediatamente com as chaimites das Forças Armadas.

- O que é que se passa?, perguntou a D. Celeste quando se aproximou de um dos tanques.
- Nós vamos a caminho do Quartel do Carmo para fazer render o Governo, respondeu-lhe o soldado.
- Então, e já estão aqui há muito tempo?, voltou a interpelar.
- Estamos desde as duas ou três horas da manhã. E o militar pede-lhe um cigarro.

D. Celeste, que já tinha trabalhado numa Tabacaria, sabia perfeitamente a sensação de querer fumar um cigarro. Triste por não ter nenhum consigo, apesar de não fumar, respondeu-lhe:

- Não tenho nenhum cigarro, mas tenho um cravinho, estendendo-lhe a flor, que o soldado colocou cuidadosamente no cano da sua espingarda.

Foi o primeiro.

D. Celeste foi distribuindo os cravos pelos militares que encontrava pelo caminho até à Igreja dos Mártires, espalhando assim, na sua ingenuidade de menina, a cor vermelha de Abril por Lisboa.

Chegou a casa. A sua mãe, preocupada, perguntou-lhe o que estava a fazer na rua. D. Celeste foi até janela e mostrou-lhe como lindas ficaram as ruas com os seus cravos.

Também este ano, a história que acabaste de ler comemora os seus 40 anos. 40 anos de confiança entre o movimento militar e os desejos do povo português para derrubar o regime fascista. Mas mais importante, é que foi graças ao simples mas grandioso acto de D. Celeste que, ao oferecer as flores aos militares, impediu as espingardas de disparar, transformando o cravo vermelho numa palavra de ordem visual, expressão da vontade popular pela revolução pacífica, a Revolução dos Cravos.


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Por outro lado, no Jornal de Notícias, com data de 25 de abril de 2013, podemos ver um vídeo em que Celeste Caeiro conta a sua história: A mulher que fez do cravo o símbolo da revolução.





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