Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

"Os teus olhos, ó morena..."

Fotografía de Pablo Bandeira


Os teus olhos, ó morena, ó ai!
Quando olhas de repente,
Parecem chamas de lume, ó ai!
Que vêm queimar a gente.


Nota. É claro que o autor é anónimo. E a palavra "a gente" refere-se a quem fala ou canta. Dá para perceber?

Por acaso, a menina da fotografia não se parece com nenhuma das alunas da turma? Eu acho que sim. Um aluno concordou comigo, outros não.



O que será que apareceu aí?


Estévão Vieira, Stêvz, já esteve aqui no blogue na semana passada:  Jogo das citações. E antes disso pudemos apreciar o que ele faz em  Co (Stêvz) e Quadradinhos para o Perfeito Simples.



Uma menina de Goa

Fotografia de Anoop Negi


Goa é um estado da Índia. Situa-se entre Maharashtra a norte e Karnataka a leste e sul, na costa do Mar da Arábia, a cerca de 400 km a sul de Bombaim. É o menor dos estados indianos em território e quarto menor em população, e o mais rico em PIB per capita da Índia.

A sua língua oficial é o concani, mas ainda existem pessoas neste estado que falam português, devido ao domínio de Portugal na região por mais de 400 anos. As suas principais cidades são Vasco da Gama, Panaji (ou Pangim, antigo nome português), Margão (Madgaon, pronúncia aproximada em concanim) e Mapusa. Goa, a partir de 1510, foi a capital do Estado Português da Índia, tendo sido integrada pela força na União Indiana em 1961.

As suas igrejas e conventos encontram-se classificadas como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.





segunda-feira, 6 de junho de 2011

Anna Pavlova

Para a aluna Laura C., da turma de 4º A, que na passada sexta-feira tinha de fazer um exame de balé depois do recreio, e por isso ela apareceu na sala de aula com um bonito coque.


Anna Pavlova foi uma bailarina russa (1881-1931) de talento e carisma excepcionais, que fascinou o mundo da dança no fim do século XIX e na primeira metade do século XX. Seu extraordinário talento e suas interpretações extremamente pessoais deram um novo sentido ao balé clássico.





Às voltas com a saudade

S de Saudade (Fotografia de Rafael Nogueira )

Umas palavras sobre a saudade escritas do outro lado do oceano. É por isso que há algumas coisas que se escrevem de outra maneira de como vocês aprenderam.

Eu estava pensando, sinto falta de muita gente na minha vida, pessoas e amizades que passaram e que não voltam mais, outras que passaram e sabe-se lá Deus onde estão agora, outras que eu vejo de vez em quando, outras que estão sempre do meu lado, mais ainda sim, distantes. São, e foram, tantas promessas de "temos que nos ver mais", "nos vemos essa semana sem falta", "temos que combinar de sair juntos mais vezes", "tô com saudade, vem me visitar?", que não foram cumpridas que eu até perco a conta, e isso é tão chato. Encontrar alguém que você gosta, abraçar, rir, contar tudo, pôr o assunto em dia, e depois dizer tchau e ficar mais um longo intervalo de tempo sem ver de novo é triste, às vezes penso que seria melhor não ver então, que é pra não dar o gostinho. Pior também é ter aquele GRANDE AMIGO que mora em uma GRANDE distância. Acho que saudade foi inventada por alguém sozinho, que não tinha nada pra fazer, é, pode até ser, mas era uma saudade diferente, uma saudade de tudo aquilo que não foi visto ou sentido, e foi inventado para que as pessoas sintam como é ser sozinho. Contradição: ser sozinho e sentir saudades. Isso até existe né?! No fim, saudade existe pra aprendermos a dar valor, a aproveitar o agora, aproveitar aquele momento que ninguém sabe quando vai acontecer de novo, antes que fique no ar um "temos que nos ver mais" que não vai ser cumprido.

Fernanda Gaseta


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Uma amizade sincera (Clarice Lispector)

 Clarice Lispector por Eduardo Denne

UMA AMIZADE SINCERA

Não é que fôssemos amigos de longa data. Conhecemo-nos apenas no último ano da escola. Desde esse momento estávamos juntos a qualquer hora. Há tanto tempo precisávamos de uma amigo que nada havia que não confiássemos um ao outro. Chegamos a um ponto de amizade que não podíamos mais guardar um pensamento: um telefonava logo ao outro, marcando encontro imediato. Depois da conversa, sentíamo-nos tão contentes como se nos tivéssemos presenteado a nós mesmos. Esse estado de comunicação contínua chegou a tal exaltação que, no dia em que nada tínhamos a nos confiar, procurávamos com alguma aflição um assunto. Só que o assunto havia de ser grave, pois em qualquer um não caberia a veemência de uma sinceridade pela primeira vez experimentada.

Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós. Às vezes um telefonava, encontrávamo-nos, e nada tínhamos a nos dizer. Éramos muito jovens e não sabíamos ficar calados. De início, quando começou a faltar assunto, tentamos comentar as pessoas. Mas bem sabíamos que já estávamos adulterando o núcleo da amizade. Tentar falar sobre nossas mútuas namoradas também estava fora de cogitação, pois um homem não falava de seu amores. Experimentávamos ficar calados — mas tornávamo-nos inquietos logo depois de nos separarmos.

Minha solidão, na volta de tais encontros, era grande e árida. Cheguei a ler livros apenas para poder falar deles. Mas uma amizade sincera queria a sinceridade mais pura. À procura desta, eu começava a me sentir vazio. Nossos encontros eram cada vez mais decepcionantes. Minha sincera pobreza revelava-se aos poucos. Também ele, eu sabia, chegara ao impasse de si mesmo.

Foi quando, tendo minha família se mudado para São Paulo, e ele morando sozinho, pois sua família era do Piauí, foi quando o convidei a morar em nosso apartamento, que ficara sob a minha guarda. Que rebuliço de alma. Radiantes, arrumávamos nossos livros e discos, preparávamos um ambiente perfeito para a amizade. Depois de tudo pronto — eis-nos dentro de casa, de braços abanando, mudos, cheios apenas de amizade.

Queríamos tanto salvar o outro. Amizade é matéria de salvação.

Mas todos os problemas já tinham sido tocados, todas as possibilidades estudadas. Tínhamos apenas essa coisa que havíamos procurado sedentos até então e enfim encontrado: uma amizade sincera. Único modo, sabíamos, e com que amargor sabíamos, de sair da solidão que um espírito tem no corpo.

Mas como se nos revelava sintética a amizade. Como se quiséssemos espalhar em longo discurso um truísmo que uma palavra esgotaria. Nossa amizade era tão insolúvel como a soma de dois números: inútil querer desenvolver para mais de um momento a certeza de que dois e três são cinco.

Tentamos organizar algumas farras no apartamento, mas não só os vizinhos reclamaram como não adiantou.

Se ao menos pudéssemos prestar favores um ao outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas não precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos amigos. O que não bastava para encher os dias, sobretudo as longas férias.

Data dessas férias o começo da verdadeira aflição.

Ele, a quem eu nada podia dar senão minha sinceridade, ele passou a ser uma acusação de minha pobreza. Além do mais, a solidão de um ao lado do outro, ouvindo música ou lendo, era muito maior do que quando estávamos sozinhos. E, mais que maior, incômoda. Não havia paz. Indo depois cada um para seu quarto, com alívio nem nos olhávamos.

É verdade que houve uma pausa no curso das coisas, uma trégua que nos deu mais esperanças do que em realidade caberia. Foi quando meu amigo teve uma pequena questão com a Prefeitura. Não é que fosse grave, mas nós a tornamos para melhor usá-la. Porque então já tínhamos caído na facilidade de prestar favores. Andei entusiasmado pelos escritórios de conhecidos de minha família, arranjando pistolões para meu amigo. E quando começou a fase de selar papéis, corri por toda a cidade — posso dizer em consciência que não houve firma que se reconhecesse sem ser através de minha mão.

Nessa época encontrávamo-nos de noite em casa, exaustos e animados: contávamos as façanhas do dia, planejávamos os ataques seguintes. Não aprofundávamos muito o que estava sucedendo, bastava que tudo isso tivesse o cunho da amizade. Pensei compreender por que os noivos se presenteiam, por que o marido faz questão de dar conforto à esposa, e esta prepara-lhe afanada o alimento, por que a mãe exagera nos cuidados ao filho. Foi, aliás, nesse período que, com algum sacrifício, dei um pequeno broche de ouro àquela que é hoje minha mulher. Só muito depois eu ia compreender que estar também é dar.

Encerrada a questão com a Prefeitura — seja dito de passagem, com vitória nossa — continuamos um ao lado do outro, sem encontrar aquela palavra que cederia a alma. Cederia a alma? mas afinal de contas quem queria ceder a alma? Ora essa.

Afinal o que queríamos? Nada. Estávamos fatigados, desiludidos.

A pretexto de férias com minha família, separamo-nos. Aliás ele também ia ao Piauí. Um aperto de mão comovido foi o nosso adeus no aeroporto. Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso. Mais que isso: que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros.


Conto completo, do livro Felicidade clandestina, obra da escritora brasileira Clarice Lispector


quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Como seria viver a vida que realmente quero?"

Fotografia de Lia de Paula

Alguém escreveu esta frase numa rua de Fortaleza, capital do estado do Ceará, no nordeste do Brasil. Se calhar, ainda é cedo para vocês pensarem no sentido destas palavras, não sei, e devem esperar. Um dia, quando forem grandes...



segunda-feira, 30 de maio de 2011

Jogo das citações (stêvz)


Autor: Estêvão Vieira, stêvz, brasileiro. Isto não vos faz pensar no discurso directo e indirecto? Ele disse que...



sexta-feira, 27 de maio de 2011

O queixo não se come

Queixo (Fotografia de Lady Amnésia)


Vocês gostam de queijo? De certeza que a maioria gosta. E gostam de queixo? Cuidado com o xis, porque então o lacticínio fica convertido numa parte do corpo. Estão a ver? Alguns de vocês escreveram "queixo" como alimento...

Para além das letras, já sabem que o som por elas representado é diferente:
Na palavra queijo, o j (jota) tem um som [ʒ] (palatoalveolar fricativo sonoro).

Na palavra queixo, o x (xis) tem um som [ʃ] (palatoalveolar fricativo surdo)


A partir de agora espero que ninguém faça esta confusão ou que peça em Portugal uma sandes de "queixo"... Teria muita piada.



Para onde aponta o dedo? Para o queixo




Um queijo da vila alentejana de Nisa


quinta-feira, 26 de maio de 2011

A palavra 'fotografia' em japonês



Em japonês, fotografia diz-se shashin - reproduzir (sha) a verdade (shin). Isto aqui é um kanji. (Os kanji (漢字) são caracteres da língua japonesa com origem de caracteres chineses.)


(Fonte: Um óptimo blogue de fotografia ligado ao jornal português Público, Arte Photographica)


Fotografia de Michael Chandler