Numa rua do Rio de Janeiro, no Brasil. Alguém tem alguma coisa a dizer? Não dá para pensar um pouco?
Blogue dos alunos de português de 3º e 4º de ESO do IES 'M. DOMINGO CÁCERES', em Badajoz, Espanha (De 2010-09-01 a 2020-01-17)
Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
"Não penso. Não existo. Só assisto."
terça-feira, 30 de novembro de 2010
"O poeta é um fingidor" (Fernando Pessoa)
O título deste poema é Autopsicografia, mas é muito conhecido o primeiro verso dele: "O poeta é um fingidor". Fernando Pessoa, um poeta português que foi muitos poetas, e já falaremos nisso aqui, morreu a 30 de Novembro de 1935.
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
Etiquetas:
Autores portugueses,
Fernando Pessoa,
Poesia,
Vídeo musical
Convidado abusivo
Cena de banquete ao som de música de aulos
Vamos aprender qual o significado da palavra parasita (reparem que a palavra é grave em português, não esdrúxula) com o livro Elucidário de conhecimentos quase inúteis de Roby Amorim. Como muda o significado de algumas palavras com a evolução do tempo, vejam bem!
Há mais uma palavra por aí, que é papa-jantares. Faziam o favor de me dizer qual a palavra espanhola correspondente?
CONVIDADO ABUSIVO
Para quer dizer, em grego, ao lado; e sitos é o alimento. O parasita é, desta maneira, quem come ao nosso lado.
Na Grécia clássica o parasitismo era uma instituição. Eram assim chamados os sacerdotes e oficiais subalternos, encarregados de guardar o trigo colhido em terras sagradas. Gozavam de certas prerrogativas, entre as quais a de tomar parte nos banquetes religiosos, sentando-se ao lado dos magistrados.
A assiduidade e frequência aos banquetes e a intemperança demonstrada, transformaram o epíteto em designação afrontosa, em sinónimo de papa-jantares, o que abusa, aquele que vive à custa de alguém.
Parasitas, no mesmo sentido, são também os animais que vivem à custa da substância de outros, que comem ou vivem à custa alheia como o percevejo, a pulga, a ténia, a lombriga, etc.
Etiquetas:
Grécia e Roma Antigas,
Palavras,
Saber é bom
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Três alunos canoístas
Canoagem no rio Guadiana, em Mértola
Uma das nossas Lauras, de 4º A, mais o Johán, de 3º D, e a Cristina, de 3º C, praticam este desporto: a canoagem, quer dizer, eles são canoístas. Eu gostava que eles nos contassem um dia no blogue qual a sua experiência deste desporto.
Canoagem é um desporto náutico, praticado com canoa ou caiaque (kayak), indistintamente, em mar, rio, lago, águas calmas ou agitadas, sendo modalidade Olimpica desde 1936.
CANOA
Embarcação aberta ou fechada, originária dos índios, usa um remo de uma só pá. O(s) remador(es) pode(m) estar sentado(s) ou ajoelhado(s).
CAIAQUE
Embarcação fechada, com origem entre os esquimós, usa um remo de duas pás e o(s) remador(es) senta(m) na cabine. Os caiaques podem ser apropriados a turismo ou ao lazer sem finalidade específica, ou para especialidades desportivas: o slalom e o de descida, para águas calmas, e os caiaques de velocidade em águas calmas: K1, K2 e K4 (1, 2 ou quatro remadores).
CANOÍSTA
Em português, é o termo usado para quem - homens ou mulheres - rema uma canoa, caiaque.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Com um brilhozinho nos olhos (Sérgio Godinho)
Fotografia de Anna Paula Carvalho
O tripeiro, isto é, portuense, isto é, nascido na cidade do Porto, Sérgio Godinho é um dos grandes nomes da música portuguesa e um dos melhores contadores de histórias nas suas canções.
Hoje trazemos aqui a letra da sua Com um brilhozinho nos olhos porque vem mesmo a calhar para rever o Perfeito Simples: há montes desta forma verbal na canção e acho ser mais agradável uma revisão desta maneira do que com uma folha cheia de exercícios. É por isso que esta mensagem poderia intitular-se também "Sérgio Godinho e o Perfeito Simples".
Reparem no que dizia lá em cima deste cantor: um contador de histórias.
COM UM BRILHOZINHO NOS OLHOS
Com um brilhozinho nos olhos
e a saia rodada
escancaraste a porta do bar
trazias o cabelo aos ombros
passeando de cá para lá
como as ondas do mar.
Conheço tão bem esses olhos
e nunca me enganam,
o que é que aconteceu, diz lá
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há.
Com um brilhozinho nos olhos
metemos o carro
muito à frente, muito à frente dos bois
ou seja, fizemos promessas
trocámos retratos
traçámos projectos a dois
trocámos de roupa, trocamos de corpo,
trocámos de beijos, tão bom, é tão bom
e com um brilhozinho nos olhos
tocámos guitarra
p'lo menos a julgar pelo som
E que é que foi que ele disse?
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco. [x4]
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto [x4]
portanto,
Hoje soube-me a pouco
Com um brilhozinho nos olhos
corremos os estores
pusemos a rádio no "on"
acendemos a já costumeira
velinha de igreja
pusemos no "off" o telefone
e olha, não dá p'ra contar
mas sei que tu sabes
daquilo que sabes que eu sei
e com um brilhozinho nos olhos
ficámos parados
depois do que não te contei
Com um brilhozinho nos olhos
dissemos, sei lá
o que nos passou pela tola [o que nos passou pelo goto]
do estilo és o "number one"
dou-te vinte valores
és um treze no totobola [és o seis do meu totoloto]
e às duas por três
bebemos um copo
fizemos o quatro e pintámos o sete
e com um brilhozinho nos olhos
ficámos imóveis
a dar uma de "tête a tête"
E que é que foi que ele disse?
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco. [x4]
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto [x4]
portanto,
Hoje soube-me a pouco
E com um brilhozinho nos olhos
tentámos saber
para lá do que muito se amou
quem éramos nós
quem queríamos ser
e quais as esperanças
que a vida roubou
e olhei-o de longe
e mirei-o de perto
que quem não vê caras
não vê corações
com um brilhozinho nos olhos
guardei um amigo
que é coisa que vale milhões.
E que é que foi que ele disse?
E que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco. [x4]
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto [x4]
portanto,
Hoje soube-me a pouco
Etiquetas:
Música portuguesa,
Perfeito Simples,
Revisão,
Vídeo musical
"Convencido" será qualidade ou defeito?
Vários alunos classificaram a palavra convencido como qualidade e não como defeito, apesar de a termos visto na sala de aula. Vamos ver uma definição desta palavra que lemos na internet:
"Pessoa que se julga superior às outras, ou se diz superior, ou ainda se diz algo acima da sua capacidade".
Por exemplo, alguém que dissesse -Eu sou o melhor naquilo que faço, seria alguém um bocadinho convencido, não acham?
(Já dissemos que na nossa língua diríamos "creído" ou "engreído". Isso não é qualidade, pois não?)
Etiquetas:
Palavras que não se parecem com as nossas
A voz da terra (António Botto)
Alunos da turma de 3º C
Hoje o professor falta por causa de uma actividade extra-escolar com alunos do 1º ano. É por isso que deixo este conto para que tenham alguma coisa para fazer na sala de aula. E para além do conto, há muita coisa no blogue para ler, ver e aprender. Vamos a isso!
Não se esqueçam das "ferramentas" que têm aí à direita. Ou podem clicar neste linque: o Dicionário Word Reference (português-espanhol).
Não se esqueçam das "ferramentas" que têm aí à direita. Ou podem clicar neste linque: o Dicionário Word Reference (português-espanhol).
A Voz da Terra
Um rei que vivia solitário, certo dia, lembrou-se de mandar construir um palácio que fosse uma grande maravilha. E para que essa construção ficasse de facto grandiosa, pensou que só poderia erguê-la sobre uma alta coluna cujo alicerce infinitamente forte pudesse, em verdade, sustê-la. Chamando o seu íntimo ajudante, deu-lhe esta ordem:
— Desejo que mandes alguns homens a todas as florestas e bosques do universo a fim de encontrarem a árvore mais ampla e mais alta que houver debaixo do sol. Não te surpreendas, vai.
E trinta rachadores de madeira partiram à procura da árvore gigantesca. Semanas depois, regressaram:
— Encontramos a árvore, mas é impossível transportá-la.
— Levem cavalos para a trazer! – exclamou o rei.
— Não poderiam com ela.
— Algumas centenas de bois?
— Não poderiam com ela.
— Todos os meus elefantes?
— Também não será bastante.
— Pois seja como for; dentro de um prazo de oito dias, quero a árvore aqui! – disse, por fim, com azedume.
E os trinta leais servidores, de cabeça baixa, e em silêncio, partiram para a floresta. Porém uma outra árvore surgiu ainda mais bela. Era uma árvore venerada por todos os habitantes desse pequeno lugar e arredores, porque viviam na ilusão – ou na certeza! – de que um deus nela habitava e que a essa presença divina é que a árvore devia a sua exuberante formosura e o seu aspecto tão alto, tão forte, maravilhoso! Entretanto, o rei ordenou que a derrubassem porque só ela poderia ser a coluna do seu desejado palácio. Descantes e danças, abraços e beijos, à roda do velho tronco, misturavam-se na voz de alguém que a cantar dizia:
Deus, oculto e generoso,
Procura outra morada,
Que esta árvore frondosa,
À ordem de El-rei senhor,
Vai, por nós, ser derrubada.
A folhagem estremeceu; as ramarias mais altas inclinaram-se, chorosas, e um vago lamento se ouviu:
— Se o vosso rei teimar nesse propósito, todas estas árvores de fruto e todas estas plantações que crescem à minha volta ficarão também destruídas. Digam, pois, ao vosso rei, que esse desejo é cruel. Contudo, se ele teimar, humildemente me entrego...
Nessa noite, enquanto o soberano dormia, o Deus da árvore venerada apareceu-lhe e ao ouvido assim falou tristemente:
— Sei eu que mandaste derrubar a árvore maior e mais alta da floresta. Venho pedir-te que não pratiques esse monstruoso crime.
— Mas onde vou eu encontrar a coluna para o palácio que quero mandar construir?
— Raciocina, Rei sabedor: durante quatro mil anos recebi a adoração de todos os habitantes destas povoações vizinhas e, em troca, só benefícios saíram das minhas mãos. As aves adormecem, cantam e vivem nos meus ramos. Espalho sombra e bem-estar ao caminhante fatigado pelas ardências solares. Estão comigo a paz e o bem.
— É verdade quanto dizes, ó alma dessa árvore formosa. Mas mantenho o que desejo.
— Está bem; não devo contrariar-te. Só uma coisa ainda te peço. Manda-a cortar por três vezes. Primeiro, a cabeça coroada de folhagem verde; depois, o tronco com os seus braços abertos ao amor e ao infortúnio; e, por fim, as raízes que são tantas e tão profundas que hão-de abalar a terra inteira.
— O que me pedes surpreende-me pela originalidade. Até hoje ninguém me pediu que lhe tirasse a vida por três vezes! Porque não queres suportar a morte num golpe certeiro?
— Eu te respondo, rei inteligente: à volta de mim cresce e vive a minha família. Variadíssimas árvores prosperam à minha sombra generosa. Se eu tombar de um arranco, o meu corpo pesado e enorme, vai, certamente, mutilar essas vidas florescentes; mas, se cair por três vezes e em três bocados, será mais suave o desastre, por elas e não por mim!
No dia seguinte a ordem do rei era esta:
— Não quero que derrubem essa árvore! Nela mora um espírito de tanta beleza moral que é necessário respeitar e ouvir. As árvores são sagradas. Para edificar a minha casa outra coluna se arranjará; talvez de bronze ou de prata, ou, talvez, unicamente deste infeliz coração que bate aqui no meu peito.
António Botto
Do livro Os Contos de António Botto
Lido no blogue Contos de aula
Etiquetas:
Autores portugueses,
Educação em valores,
Leituras
Dois desenhos de Ricardo Quitério
Também não é preciso dizer quem ele é, pois não?
Agrupamento Musical Lauro Palma: caricaturas dos membros
Dois desenhos do ilustrador e artista português Ricardo Quitério.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
O voleibol
Voleibol (chamado frequentemente no Brasil de Vôlei e em Portugal de Vólei) é um desporto praticado numa quadra dividida em duas partes por uma rede, possuindo duas equipas de seis jogadores em cada lado. O objetivo da modalidade é fazer passar a bola sobre a rede de modo a que esta toque no chão dentro da quadra adversária, ao mesmo tempo que se evita que os adversários consigam fazer o mesmo. O voleibol é um desporto olímpico, regulado pela Fédération Internationale de Volleyball (FIVB).
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A notícia do dia em Portugal
Duas novas palavras: greve (= "huelga") e grevista (= "huelguista").
No Público
No Expresso
No Diário de Notícias
Subscrever:
Mensagens (Atom)









