Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Voltamos com Sophia de Mello Breyner Andresen



As férias terminaram, ai que pena! e toca a trabalhar, vocês sabem bem isso, embora muitas vezes disfarcem, percebem?

Vamos aí! Força! E voltamos com um poema da grande Sophia de Mello Breyner Andresen. Reparem nesses versos, que beleza:

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.



Bem, vamos ler o poema completo:


PIRATA

Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

Sophia de Mello Breyner Andresen