Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Como é bonita a primavera!





Máquina zero (Rui Veloso)



Hoje temos no 4º ano a nossa última aula deste segundo período. E vem ter connosco o cantor portuense Rui Veloso a falar de uns tempos que,  felizmente para vocês, já passaram.


MÁQUINA ZERO

Fui à inspecção ao quartel de infantaria
Estava no edital da junta de freguesia
Depois de inspeccionado deram-me uma guia
Com um carimbo chapado dizendo que servia

Ainda argumentei e disse que não ouvia
Não regulava bem e que tinha miopia
O capitão mirou-me no seu ar de comando
E o sargento mandou-me um sorriso de malandro
Do bolso tirou a velha máquina zero
E tugindo gozou pró ano cá te espero

Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero

Um dia na recruta fui limpar a latrina
O rancho veio-me à boca e faltei à faxina
O sargento de dia não me deixou impune
Levou-me à companhia e aplicou-me o rdm
Aqui nada se aprende odeio espingardas
Não fui feito para isto e tenho horror a fardas

Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero

Não me façam guerreiro eu nunca fui audaz
Sou um gajo porreiro só quero viver em paz

Eu não quero ir á máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero

Nunca fiz inimigos em nenhum continente
Não dividam o mundo em leste e ocidente
Pactos e alianças são um bom remédio
Para entreter marechais e lhes combater o tédio
Pactos e alianças são um bom remédio
Para entreter marechais e lhes combater o tédio

Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero







terça-feira, 8 de abril de 2014

E, em 2013, Sabrina acordou em 2002



Reparem nesta notícia lida ontem no jornal Público. Podemos lê-la como se fosse um conto de terror, não acham?


E, em 2013, Sabrina acordou em 2002


07/04/2014 

Brasileira de 32 anos acordou um dia sem se lembrar dos últimos 11 anos da sua vida. Levou cinco meses a recuperar a memória.


Numa noite, Sabrina Velasco estava em Julho de 2013, na manhã seguinte tinha recuado até Maio de 2002. Sem razão aparente, a brasileira de 32 anos acordou com a mente sintonizada na década passada, onde era casada com outra pessoa, não havia três filhos e vivia noutra casa. Onze anos da sua vida desapareceram, foram esquecidos. Segundo os médicos, Sabrina estava com amnésia dissociativa.

Na noite anterior a perder a memória, Sabrina, uma empreendedora responsável por projectos sociais, tinha-se deitado indisposta mas nada que necessitasse de cuidados médicos. Quando acordou no dia seguinte, a mulher com quem Rafael Velasco estava casado tinha desaparecido. “A Sabrina que tinha voltado era uma Sabrina completamente diferente da pessoa que eu conhecia”, lembra em declarações ao G1, o site de notícias da Globo.

Rafael assustado chamou uma ambulância e Sabrina foi para o centro de saúde local. Aos médicos repetiu o que já tinha dito ao marido: “Estamos em Maio de 2002”. “Na minha cabeça, eu estava com 21 anos”, contou ao G1.

Nessa altura, Sabrina era casada com Vinicius e tinha um filho com três meses de idade. Foi por Vinicius que perguntou enquanto esteve a ser observada pelos médicos, sem nunca mencionar os seus outros dois filhos. À mãe, Doris Campos, Sabrina perguntava pelo marido, pelo bebé e a cada resposta que recebia sentia-se enganada. “A mãe está a querer enganar-me por quê?”, perguntou.

No regresso a casa, mais uma surpresa. Sabrina não se recordava da sua morada actual. Para ela a sua casa era aquela onde vivia em 2002 com Vinicius. “Ela ficou assustadíssima, e queria sair e nós a forçá-la para entrar, e ela querendo sair. E o pior era ver os meus netos a pedir a mãe”, recorda Doris Campos ao G1.

O diagnóstico

Perante o estado de Sabrina que não se alterou nos dias seguintes, a família levou-a a três unidades hospitalares até conseguir uma explicação sobre o que estava a acontecer. No Hospital das Clínicas de São Paulo, os exames neurológicos não revelaram nenhum problema físico e os médicos concluíram que Sabrina estava sob uma amnésia dissociativa. Neste tipo de amnésia, a pessoa perde a capacidade de recordar momentos da sua vida pessoal. Esta perda está habitualmente associada à sujeição a acontecimentos traumáticos ou muito stressantes, os quais o doente não terá enfrentado e resolvido. O doente pode levar horas, dias ou anos, em alguns casos, a recuperar a memória.

Ao G1, a psiquiatra da Universidade Federal do Rio de Janeiro Adriana Fizman, explicou que na origem da amnésia dissociativa está um “trauma emocional muito intenso, vivido principalmente na infância, adolescência”. “O stress, a má alimentação, a falta de sono podem desencadear uma doença cardíaca em um, transtorno do pânico no outro. No caso dela, fez com que ela adoecesse dessa forma”, concluiu a psiquiatra.

Sabrina confirmou que no passado tinha sofrido um abuso, que não esclareceu, e que tinha passado por algumas perdas violentas. Mais recentemente dormia muito pouco e trabalhava muito.

Após o diagnóstico de amnésia dissociativa, Sabrina foi para casa medicada e aconselhada a procurar ajuda psiquiátrica. Mas rapidamente abandonou a medicação, por esta alimentar a sua falta de memória. “Quando passava o efeito, eu começava a lembrar-me de algumas coisas. E, nessa altura, comecei a registar [as memórias] num caderno”, explica.

Procurou os que lhe diziam que eram amigos, familiares, o que lhe estimulou a memória afectiva. Até as evoluções tecnológicas tiveram que lhe ser reapresentadas, porque não se lembrava do que em 11 anos tinha aparecido.

Regresso à vida de 2013

Foi uma amiga que a fez avançar no tempo e a regressar a casa, ao marido e aos filhos e a pressionar a mente para recordar 11 anos de vida. “Percebi que a minha memória voltava quando eu sentia determinados cheiros ou escutava algumas coisas. Vinham imagens à minha cabeça”, recorda a brasileira.

Com o apoio da família foi retomando o contacto com amigos de infância, adolescência, do trabalho, que lhe contavam quem era Sabrina para eles. “Acabei reconhecendo a grande maioria pelo cheiro e também pela voz”, confessou.

Quanto ao marido e aos filhos, Sabrina levou algum tempo a regressar ao ponto em que de um momento para o outro deixou de ser mulher de Rafael e mãe de três crianças. “Eu falava para o Rafa: ‘Estou lembrando de mim grávida das crianças, estou lembrando do nosso casamento’. E eu comecei a chorar muito, fiquei muito emocionada”. O lado afectivo foi mais complicado. “Ele teve de fazer de tudo para eu me apaixonar de novo. Porque eu não o aceitava de forma alguma”, lamenta.

A memória voltou a 30 de Dezembro do ano passado, cerca de cinco meses depois do primeiro dia de amnésia. “Comecei o ano de 2014 em 2014”, sublinha.






"A flutuar na minha cabeça"



Um breve filme de animação francês "qui raconte l'histoire de la vie, de rencontres, de souvenirs" (a história da vida, reencontros, de recordações).






segunda-feira, 7 de abril de 2014

Guardar (Antônio Cícero)



Leiam, leiam, e aprendam a guardar coisas da maneira que o brasileiro Antônio Cícero nos diz:


GUARDAR

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Antônio Cícero



Antonio Cicero nasceu no Rio de Janeiro, em 1945. Formou-se em filosofia na Universidade de Londres.








sexta-feira, 4 de abril de 2014

Tudo na vida cicatriza, menina... (Carolina Carmo)


 Alguém é capaz de me dizer porque é que podemos saber que estes quadrinhos foram feitos no Brasil?






Assim era Lisboa antes do terramoto de 1755

Assim era o Terreiro do Paço, junto ao rio Tejo, antes do terramoto de 1755


Quadros de antes do Terramoto de 1755 serão expostos ao público em Lisboa

PÚBLICO 03/04/2014 - 16:41

As pinturas antigas estão disponíveis para venda, mas só se poderá adquirir o conjunto das quatro.

Quatro quadros pintados a óleo que representam paisagens antigas da cidade de Lisboa estarão em exposição na Cordoaria Nacional a partir deste sábado. As obras são propriedade do Antiquário AR-PAB constituído por Álvaro Roquette e Pedro de Aguiar-Branco.

As pinturas do século XVIII serão expostas no decorrer da Feira de Arte e Antiguidades de Lisboa, organizada pela Associação Portuguesa de Antiquários, entre os dias 5 e 13 de Abril. Os quadros foram adquiridos no mercado de antiquariado internacional e o conjunto dos quatro está agora disponível para venda. (...)

Os quadros mostram o Hospital Real de Todos-os-Santos, o Palácio da Ribeira, o Mosteiro dos Jerónimos e o Convento de Mafra. Será a primeira vez que os quatro quadros serão expostos.

Datadas de antes do terramoto de 1755, as obras são uma imagem da paisagem lisboeta antes do abalo que deu origem a grandes alterações na reconstrução da cidade. São pinturas que já contribuíram para o conhecimento de edifícios já desaparecidos bem como para o estudo de hábitos de consumo de obras de arte na segunda metade do século XVIII em Portugal. Têm a dimensão de 50X60cm.


(Notícia completa no jornal  Público)



Clicar aqui para saber um pouco sobre o terramoto de Lisboa.





quinta-feira, 3 de abril de 2014

quarta-feira, 2 de abril de 2014

"A perfeita dona de casa"



A perfeita dona de casa é o título desta fotografia de Guda Koster. Ainda há homens que pensam assim... Vejam lá, meninas! Não se esqueçam!





terça-feira, 1 de abril de 2014