Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Diferenças antes - agora


Uns tempos bem diferentes estes de hoje...




Nunca te achei nem te vi (Fernando Pessoa)

Fotografia de Luna Rey Cano


Nunca te achei nem te vi.
Mas, por imaginação,
Dói de ti meu coração:
Tenho saudades de ti.

Nunca, amor, te conheci.
Mas, sem saber, se existes,
Meus olhos de ti estão tristes:
Tenho saudades de ti.

Quando outra achei, te perdi,
Só por a ter encontrado
Não sei se és sonho ou pecado
Sei que, enganado e exilado,
Tenho saudades de ti.

Fernando Pessoa

3/11/1935



sexta-feira, 3 de maio de 2019

Viana do Castelo, Festas de Nossa Senhora d'Agonia, Agosto 2018


Uma fotografia de Mª Teresa Teixeira na cidade de Viana do Castelo.


Viana do Castelo é uma cidade portuguesa, capital do distrito com o mesmo nome, na região do Norte, e integrada na sub-região NUT III do Alto Minho.

É sede de um município — com 319,02 km² de área e 85 445 habitantes (2011) — subdividido em 27 freguesias. O concelho é limitado a norte pelo município de Caminha, a leste por Ponte de Lima, a sul por Barcelos e Esposende, e a oeste pelo Oceano Atlântico

Pertence à rede das Cidades Cittaslow.

(Wikipédia)


Página da Câmara Municipal de Viana do Castelo


Vista geral de Viana do Castelo (Fotografia de Lucas Martínez Farra)


Praça da República: centro histórico de Viana do Castelo
(Fotografia de Victor Vic)


Perfeito Simples de sair: Eu saí (com acento)


Reparem na importância dos acentos: "Eu sai" não é a primeira pessoa do Perfeito Simples do verbo sair, mas a terceira do Presente do mesmo verbo: Ele, ela sai.

É preciso acentuar para marcar a diferença de pronúncia: Eu saí.

Comparem as duas frases: dois tempos diferentes, duas pessoas diferentes.

Ah, mais uma coisinha. Atenção ao acento em saímos e saíram!




E tudo era possível (Ruy Belo)

Fotografia de Jorge Raimond


Que beleza a destes versos do poeta português Ruy Belo! Vamos ler bem, devagar, pensando no que o poeta diz, e reparem, por favor, nesse belo terceto final. E depois, vemos, ouvimos e lemos ao mesmo tempo este soneto.

Gosto sempre de ler este soneto aos alunos no belo mês de maio. O poeta, adulto, lembra-se de quando era novo e ainda vivia em casa dos pais, mas...



E TUDO ERA POSSÍVEL 

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio o não sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
Entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer.






Bem leve (Marisa Monte)


Que nos leve a beleza desta música e das palavras cantadas pela cantora carioca Marisa Monte. Carioca, para quem não saiba, porque assim é que se chamam os nascidos no Rio de Janeiro.

E o que será "Imbuia, Jacarandá, Peroba, Jatobá, Cabreúva, Garapera"? São árvores tropicais de madeiras muito apreciadas.


BEM LEVE

Bem leve leve, releve,
Quem pouse a pele em cima de madeira
Beira beira, quem dera, mera mera, cadeira
Mas breve breve, revele
Vele, vele quem pese, dos pés à caveira
Dali da beira uma palavra cai no chão, caixão
Dessa maneira,
Uma palavra de madeira em cada mão,
Imbuia, Cerejeira

Bem leve leve, releve,
Quem pouse a pele em cima de madeira
Beira beira, quem dera, mera mera, cadeira
Mas breve breve, revele
Vele vele quem pese dos pés à caveira

Jacarandá, Peroba, Pinho, Jatobá, Cabreúva, Garapera

Uma palavra de madeira cai no chão
Caixão, dessa maneira


Peroba rosa (Fotografia de Henrique Vieira)



quinta-feira, 2 de maio de 2019

Já terminaram o exercício?



(Para quem pergunta o que significa ainda)




O PIB brasileiro explicado pelo Armandinho


Servirá para mais países, não acham?




Para ser grande, sê inteiro (Pessoa / Reis)


Um poema do heterónimo pessoano Ricardo Reis:

Para ser grande, sê inteiro: nada
            Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
            No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
            Brilha, porque alta vive.

14-2-1933


Odes de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)


Heteronímia (héteros = diferente; + ónoma = nome) é o estudo dos heterônimos, isto é, estudo de autores fictícios (ou pseudo-autores) que possuem personalidade. Ao contrário de pseudônimos, os heterônimos constituem uma personalidade. O criador do heterônimo é chamado de "ortônimo". Sendo assim, quando o autor assume outras personalidades como se fossem pessoas reais.

O maior e mais famoso exemplo da produção de heterónimos é do poeta português Fernando Pessoa. Ele criou os heterônimos Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, entre muitos outros. Também criou o semi-heterônimo Bernardo Soares. Antes de Fernando Pessoa, o caso mais célebre de heteronímia foi o do escocês James Macpherson, autor dos Cantos de Ossian.

Continua na Wikipédia


Há tempos tivemos aqui outra "visão" deste poema.



Gosta de dar nas vistas?


Acho que parece claro o significado desta expressão: dar nas vistas, mas pelo sim pelo não, vamos ver o que nos diz o dicionário Priberam:

dar na(s) vista(s)

Chamar a atenção



A fotografia é de Menina Limão.