Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Boas Festas para todos!



Eu não tenho gato. Gosto mais de cães, mas tanto faz, gostei deste desenho do amigo Ed Arruda que serve para isto, para desejar a todos os alunos de Português do 3º e 4º anos o seguinte:


Boas Festas e Feliz Ano Novo




"O pai natal não existe mas a poesia sim"

Cartaz de Marco Dias - Fotografia de César Augusto V.R.


NATAL À BEIRA-RIO

É o braço do abeto a bater na vidraça?
É o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...

Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.

Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O conto do homem que gostava de comer bacalhau com todos (Fernando Hilário)



Para compreender melhor o conto de hoje é preciso saber que o bacalhau com todos é um prato da cozinha portuguesa composto por bacalhau cozido, às postas, acompanhado de batatas, cebolas, ovos e couves, tudo cozido, enfeitado com azeitonas e regado com azeite.

E agora, toca a ler... e pensar nos outros, em todos, sobretudo naqueles que não têm e nos dias que se aproximam; com esta terrível crise, milhares de pessoas vão passar maus bocados por não terem por vezes o imprescindível para comer. E grande parte dessas pessoas vivem ao pé de nós, na nossa cidade, no nosso país, podem ser vizinhos nossos. Reflictam um pouco nisso.

O CONTO DO HOMEM QUE GOSTAVA DE COMER BACALHAU COM TODOS

Um homem sentou-se à mesa para comer bacalhau com todos, mas estava sozinho. Mesmo assim, começou a comer bacalhau com todos. Mas, como se já não bastasse a coisa anterior, o bacalhau estava insonso, o azeite ácido de mais, as batatas negras, os legumes melados. Merda, disse o homem, isto está uma merda pegada! Mas, como se não bastasse, o empregado ouviu o homem a dizer merda e veio perguntar o que se passava. O homem aproveitou para repetir ao empregado que o bacalhau estava uma merda. E, disse-o alto, tão alto que todo o restaurante ouviu. O empregado achou que devia dizer ao gerente, e o gerente veio perguntar ao homem o que se passava.

O que se passa é que isto está uma merda, uma merda pegada, disse o homem. E disse-o tão alto que o restaurante todo ouviu, incluindo a cozinheira, que era gorda, como são todas as cozinheiras. Está uma merda?!; perguntou ela. Não sei porque é que está uma merda!?, concluiu ela. Está uma merda, gritou o homem, tanto que o restaurante todo ouviu, e ouviu o polícia de giro. O polícia de giro entrou no restaurante para perguntar o que se passava. O homem aproveitou para dizer que tudo aquilo estava uma merda. Mas disse-o tão alto que o comandante da esquadra da polícia ouviu, e também o bispo ouviu, e o comandante dos bombeiros também ouviu, e todos vieram ao restaurante perguntar o que se passava. E o homem aproveitava para gritar que aquilo tudo estava uma merda. E gritava tão alto que veio o Presidente da República, o primeiro-ministro e o ministro da Defesa e da Ordem. Perguntavam o que se passava e o homem dizia que tudo aquilo estava uma merda, uma merda pegada. Gritava tão alto que Deus acabou por aparecer no restaurante a perguntar: o que se passa?

O homem reconheceu Deus, cumprimentou-o com uma palmadinha nas costas, olá como estás, e aproveitou para lhe dizer que adorava comer bacalhau com todos. Vamos a isso, disse Deus. A cozinheira saltou para a cozinha. O empregado pôs uma enorme mesa, e daí a pouco tempo, todos estavam a comer. Passado um bocado, o gerente veio perguntar que tal? Está uma merda, disseram todos em uníssono.

Mas estamos todos, disse o homem.

Fernando Hilário




Isto é do Banksy


Banksy nasceu em Bristol, quer dizer, não pertence ao mundo da cultura feito em língua portuguesa, mas por vezes assim acontece neste  blogue. Saber é bom e, se o fazem através de palavras portuguesas, melhor.

Pelo menos os alunos mais velhos, pensem um bocado no desenho feito por este grafiteiro, pintor, ativista político e diretor de cinema inglês. Dá para pensar um pouco, não dá?


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"A mata tem mistérios..."

 Mata em S. Tomé (Fotografia de Robert Grant)

Depois da música de Cesária Évora, cabo-verdiana, vamos para S. Tomé. Continuamos, pois, em África, e desta vez em português (com Cesária foi em crioulo).


A mata

Atravessando a mata. A mata vive, tem ossos, carne, coração, espírito. No carro o condutor conta a história da árvore que foi cortada num dia e no dia seguinte apareceu de pé, ainda com as marcas da serra, mas de pé e eu vi, vi mesmo. A mata tem mistérios.

Na roça do João oiço as histórias de S.Tomé, que são tantas, cruzadas, emaranhadas, resolvidas, mal resolvidas, problemáticas, esperançosas e por aí fora. O céu desaba-se em água. Chove sempre, sempre e forte. A mata tapa tudo, só se vislumbrando um punhado de casas ali, um troço de estrada mais além, o cume dum monte ao longe, uma breve vista do mar e as vozes.

A mata tem sons e vozes. S.Tomé tem povos vários, atirados do mar para dentro da mata. Com o lento escoar do tempo os povos se cruzam mas ainda dizem, nós, eles, aqueles, este é nosso, aquele é deles, não queremos saber nada deles e assim. Os povos ainda não sabem se juntar, num único abraço.


Lido no blogue Bianda


Uma ajuda do dicionário Houaiss para algumas palavras:

Mata 1. área coberta de plantas silvestres de portes diversos. 2. m.q. floresta ('conjunto de árvores') (...)

Floresta: denso conjunto de árvores que cobrem vasta extensão de terra; mata.

Roça: terreno de lavoura, grande ou pequeno; plantação, plantio.



Miss Perfumado (Cesária Évora)


A cantora cabo-verdiana Cesária Évora morreu no sábado passado. O mais provável é que vocês não conheçam esta cantora, mas dou-vos um conselho: façam o favor de ouvir esta música que vem de África.

Cesária Évora cantava em crioulo cabo-verdiano. O que é isso? O cabo-verdiano é uma língua originária do Arquipélago de Cabo Verde. É uma língua crioula, de base lexical portuguesa. É a língua materna de quase todos os cabo-verdianos, e é ainda usada como segunda língua por descendentes de cabo-verdianos em outras partes do mundo.

Para além disso, Cabo Verde faz parte dos chamados P.A.L.O.P. (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), isso quer dizer que se um dia forem passar férias a este arquipélago, podem falar português.


MISS PERFUMADO

Dixa'm morrê ta sonhá
Na sombra di odjo magoado
Duma pequena gentil
Di corpo perfumado
Assim dixa'm môrré ô flor
Na sombra di bô odjinho
Dixa'm morré ta sonhá
Assim cuma pomba na sê ninho
Si pomba é feliz na sê ninho
A mim também mi é feliz
Na sombra di odjo ma carinho
Di Miss Perfumado


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sintra em Vilar Formoso

Estação Ferroviária de Vilar Formoso (Fotografia de Vítor Oliveira)
 


 Vilar Formoso é uma vila portuguesa que faz fronteira com a povoação espanhola de Fuentes de Oñoro (Salamanca). Tem uma bela estação de caminho de ferro e é aí que podemos ver painéis de azulejos como este, onde aparece o Castelo da Pena de Sintra. Bonito, não é?


Fotografia de Virginia Manso


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Para pensar um pouco nisto

Fotografia de Edmilson de Lima 

lições 

À condescendência superior troglodita de quem insiste em dar algo que sabe ser fundamental ao subordinado pobre, a resposta altiva daquele que, por mais que lhe custe, diz orgulhamente que não.

Escrito por Marta Lança no seu blogue A vida escrita



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Novas datas para intercâmbio escolar


Como já foi dito na sala de aula, por diversas circunstâncias as novas datas para o intercâmbio escolar da nossa Escola con a EBI "João Roiz de Castelo Branco" de Castelo Branco são as seguintes:

A nossa visita a Castelo Branco: dias 16 a 20 de abril de 2012.

A visita da EIB João Roiz a Badajoz: dias 14 a 18 de maio.




quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Esta quase ninguém acerta!


Eis um desafio para aqueles alunos que quiserem testar os seus conhecimentos de Língua Portuguesa. Trata-se de um teste realizado num curso da American Airlines.

Na frase seguinte deverá ser colocado UM PONTO e DUAS VÍRGULAS para que a frase tenha sentido.

Maria toma banho porque sua mãe disse ela dê-me a toalha.


Se ninguém acertar, a solução será publicada aqui na próxima semana.