Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A pedra no sapato (Roby Amorim)


No livro de Roby Amorim Elucidário de conhecimentos quase inúteis lemos coisas tão curiosas e interessantes como esta:

A PEDRA NO SAPATO

O sistema romano de números era tão bom e original como inadequado para as operações de cálculo. Na verdade, servia quase exclusivamente para escrever o resultado das operações.

As classes populares contavam pelos dedos e o próprio imperador Cláudio (é ele quem o diz) fazia as suas contas por processo tão rudimentar.

Um excelente exemplo dos cálculos da época encontra-se no livro de contabilidade de um tal Graecinius, grande produtor vinícola. Segundo o documento, o terreno, a plantação e os trabalhadores custavam-lhe 29000 sestércios. A isto havia que acrescentar 6 por cento de interesses correspondentes aos dois primeiros anos sem rendimento. O total do capital investido correspondia, assim, a 32 000 sestércios, dos quais pre-tendia obter um benefício anual de 6 por cento, ou seja: 1950 sestércios.

Graecinius deixou-nos explicado como estabelecia a sua contabilidade. Utilizava pequenas pedras, chamadas calculi em sistemas de dezenas, centenas e milhares. As pedrinhas cumpriam a mesma função que o ábaco, também conhecido pelos romanos mas apenas nas classes superiores. Com esse sistema era possível somar e subtrair. As multiplicações e divisões faziam-se por etapas, até se converterem em totais ou resto. Por exemplo: três vezes quatro, fazia-se: quatro mais quatro, mais quatro.

Cada grupo de pedras tinha uma cor determinada e as operações realizavam-se no chão, onde se desenhava um conjunto de rectângulos traçados com a ponta de um pau.

Não seria um sistema muito eficiente, mas serviu para construir um império. Hoje calculi (pedras) há quem as tenha na bexiga e essas operações não podem ser feitas por processos tão simplistas.Também os gregos tinham as suas pedras. Literalmente, os escrupulus (como traduziram os latinos) eram as pedras salientes das ruas ou as mais pequeninas que se metiam na sandália e dificultavam o andar, era a pedra no sapato.

Um homem escrupuloso é, assim, o sujeito muito cuidadoso no andar para não se magoar, e, por extensão, aquele que tem o maior cuidado nas suas decisões.


Números romanos