Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sobre o fado + José Afonso e Mariza



Bem sei que esta não é a música de que os alunos mais podem gostar, mas, como se diz no livro, aqueles interessados pela cultura portuguesa "devem ouvir o fado, pelo menos uma vez". Nesta mensagem, para além de escutar Mariza a cantar um dos seus sucessos,  Ó gente da minha terra, ficamos a saber um pouco da história do fado.

A palavra fado vem do latim fatum, ou seja, “destino”. De origem obscura, terá surgido provavelmente na primeira metade do século XIX.

A origem do fado de Lisboa parece despontar da imensa popularidade nos séculos XVIII e XIX da Modinha, e da sua síntese popular com outros géneros afins, como o Lundu, no então rico caldo de culturas presentes em Lisboa, tendo como resultado a extraordinária canção urbana conhecida como “fado”.

Na primeira metade do século XX, foi adquirindo grande riqueza melódica e complexidade rítmica, tornando-se mais literário e mais artístico. Os versos populares são substituídos por versos elaborados.

Durante as décadas de 30 e 40, o cinema, o teatro e a rádio vão projectar esta canção para o grande público, tornando-a de alguma forma mais comercial. A figura do fadista nasce como artista. Esta foi a época de ouro do fado onde os tocadores, cantadores saem das vielas e recantos escondidos para brilharem nos palcos do teatro, nas luzes do cinema, para serem ouvidos na rádio ou em discos.

O fadista canta o sofrimento, a saudade de tempos passados, a saudade de um amor perdido, a tragédia, a desgraça, a sina e o destino, a dor, amor e ciúme, a noite, as sombras, os amores, a cidade, as misérias da vida, critica a sociedade…

O fado moderno iniciou-se e teve o seu apogeu com Amália Rodrigues. Foi ela quem popularizou fados com letras de grandes poetas, como Luís de Camões, José Régio, Pedro Homem de Mello, Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, José Carlos Ary dos Santos e outros.

O fado de Lisboa que é hoje conhecido mundialmente pode ser (e é muitas vezes) acompanhado por violino, violoncelo e até por orquestra, mas não dispensa a sonoridade da guitarra portuguesa.


Actualmente, muitos jovens –entre os quais Raquel Tavares, Maria Ana Bobone, Mariza, Joana Amendoeira, Mafalda Arnauth, Marco Oliveira, Katia Guerreiro, Luisa Rocha, Camané, Cristina Branco – juntaram o seu nome aos dos consagrados ainda vivos e estão dando um fôlego incrível a esta canção urbana.

Muito ligado às tradições académicas da respectiva Universidade, o fado de Coimbra é exclusivamente cantado por homens e tanto os cantores como os músicos usam o traje académico. Mas isso fica para outro dia.

(Resumo da Wikipédia)

Estudantes da Universidade de Coimbra

Um exemplo, Saudades de Coimbra, interpretado por José Afonso:

SAUDADES DE COIMBRA 

Ó Coimbra do Mondego
E dos amores que eu lá tive.
Quem te não viu anda cego,
Quem te não ama não vive.

Do Choupal até à Lapa
Foi Coimbra os meus amores.
A sombra da minha capa
Deu no chão, abriu em flores.




Agora, Mariza canta Ó gente da minha terra:

Ó GENTE DA MINHA TERRA

É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi







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