Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O que terá acontecido a este galo?




Quer dizer, o que terá acontecido  a Portugal? Haverá motivos para um espanhol desenhar o famoso touro de pescoço pelo chão?


"A 'brand' Portugal, a imagem de marca do país, e os danos irrecuperáveis que sofre com esta crise e a ajuda. O estigma."

(Publicado na revista Expresso Única, no sábado passado, 9 de Abril)

A ilustração é de Carlos Quitério.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Uns quadradinhos de Eduardo Arruda



Eduardo Arruda é carioca, quer dizer, nasceu no Rio de Janeiro, no Brasil, e virá mais vezes por aqui. Gostam? 

O autor diz-nos que, apesar da evolução, o homem continua tão primitivo quanto antes, burro, mas burro mesmo.



Gago Coutinho e Sacadura Cabral



Carlos Viegas Gago Coutinho (1869-1959) foi um cartógrafo, oficial da Marinha Portuguesa, navegador e historiador. Juntamente com o aviador Sacadura Cabral, tornou-se um pioneiro da aviação ao efectuar a Primeira travessia aérea do Atlântico Sul, no hidroavião Lusitânia.

Foi em 1922, no contexto das comemorações do centenário da Independência do Brasil, que os dois aviadores realizaram essa travessia, sendo recebidos entusiasticamente em várias cidades do Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo, Recife), bem como no regresso a Portugal.


Rota da primeira travessia aérea do Atlântico Sul


Gago Coutinho (dir.) e Sacadura Cabral (esq.)
a bordo do "Lusitânia", 1922.


(Fonte: Wikipédia)

E para mais informação, é favor clicarem aqui.



Rio

Fotografia de Martin Lazarev

Dá para ler o que esta moça leva escrito no pescoço, não dá?



terça-feira, 5 de abril de 2011

"Há sem dúvida quem ame o infinito" (Fernando Pessoa - Álvaro de Campos)


Uns versos de um dos heterónimos do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), Álvaro de Campos.

Muito diferentes estes versos dos de Ricardo Reis, já publicados aqui há poucos dias. Falta trazer o Mestre de todos eles, Alberto Caeiro.



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Canguru


Reparem como é curiosa a história da palavra canguru. Tudo porque uma pessoa parece que pensava que a sua lingua era compreendida em qualquer parte do mundo, não importava qual.

Canguru (cuidado, palavra aguda, não grave) é o aportuguesamento do inglês kangaroo.

Quando o capitão inglês James Cook, em 1870, chegou a Queensland, na Austrália, ficou assombrado com a estranheza do animal. Dirigiu-se aos indígenas procurando saber-lhe o nome. A resposta era, invariavelmente, qualquer coisa que se assemelhava a "Kanguru". Cook tomou a palavra como o nome do marsupial. E, no entanto, o que os autóctones repetiam, o "Kanguru, Kanguru", era, na sua, língua, "não entendo, não entendo", coisa mais que natural dado não saberem inglês. Mas a palavra ficou.


Fonte: Dicionário da origem das palavras, de Orlando Neves


sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Dia das Mentiras no 'Público' de hoje


Assim é que Luís Afonso vê o Dia das Mentiras no jornal Público de hoje.



1º de abril, Dia das Mentiras



O dia 1 de Abril é o Dia das Mentiras. Estas já se esperam e por isso na maior parte dos casos não surtem o efeito desejado. Mas há quem se descuide. Por vezes, multi­dões.

Célebre ficou a mentirinha do jornal londrino Daily Herald, em 31 de Março de 1905: «Se tiverem caroços de pêssegos ou tâmaras em casa, tragam-nos amanhã, entre o meio-dia e a uma hora da tarde, a Trafalgar Square. Servirão para o repo­voa­mento florestal do deserto do Sara, no Norte de África, a fim de melhorar as condições de vida dos povos subalimen­tados daquela região.» No dia seguinte, largas centenas de pessoas acorreram à mais conhecida praça de Londres.

Mas porque este dia?



Dia das Mentiras
, Dia dos Enganos, Dia das Petas ou, na expressão original francesa, Poisson d’Avril. Todas estas designações conferem ao primeiro dia de Abril o estatuto de data propícia às fantasias mais ardilosas, elaboradas por espíritos engenhosos com o objectivo de ludibriar as mentes despreveni­das.

Tradição que teve origem em França há mais de 400 anos (v. texto em baixo), ela haveria de constituir, para os meios de comunicação social, um pretexto para infringir de forma divertida e consensualmente autorizada, a obrigação de informar com rigor. Ao longo dos tempos, têm sido múltiplas as invencioni­ces que o 1º de Abril inspirou às mentes engenhosas de alguns jornalis­tas, medindo-se o êxito das suas criações pelo número de pessoas que «enfiaram o barrete».

Tudo começou com a alteração do princípio do ano


A tradição do Dia das Menti­ras remonta a 1564, ano em que Catarina de Mé­dicis, re­gente da França em nome de Carlos IX, deliberou por decreto que o ano civil começa­ria a 1 de Janeiro. Até então, o ano civil arrancava no primeiro dia de Abril, em plena primavera.

Mas com tal mudança não se alteraram cer­tos cos­tumes. Assim, tendo-se trans­fe­rido para o 1º de Janeiro o hábito de trocar prendas e votos de Boas Festas, não deixou de se manter idêntico procedimento no dia 1º de Abril. Simplesmente, como esta data tinha perdido o signifi­cado anterior, as prendas e mensa­gens que nela conti­nuaram a trocar-se passaram a ser fictícias.

O dia 1 de Abril tornar-se-ia, assim, um remake carna­valesco, em que a astúcia dos mais engenhosos fazia gala em divertirse à custa dos que acreditavam nas suas fanta­sias, por vezes delirantes.

Este costume rapidamente se expandiu por toda a Eu­ropa e outras partes do mundo, pois a França era então o modelo cultural de todas as civili­zações ocidentais. Daí a designação de origem poisson d’Avril. Os italianos dizem pesce d'aprile. E porquê poisson? Simplesmente por­que no calendário zodiacal, a data sucede ao período re­servado ao signo dos Peixes.

Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day, "Dia dos Tolos [de Abril]". 

A contribuir também para as expressões correntes de Dia dos Enganos, ou das Menti­ras, está o facto de coincidir com um período habitualmente engana­dor, em que o sol prima­veril faz negaças, escon­dido entre nu­vens inver­nosas. Daí o conhe­cido ditado «Em Abril, águas mil».

Vamos ouvir na sala de aula uma canção de Sérgio Godinho em que aparece este dia:



ARRANJA-ME UM EMPREGO


Tu precisas tanto
de amor e de sossego
e eu preciso de um emprego.
Se mo arranjares,
eu dou-te o que é preciso,
por exemplo o paraíso.
Anda ao deus-dará
perdido nessas ruas,
vou ser mais sincero:
sinto que ando às arrecuas.

Preciso de galgar
as escadas do sucesso
e é por isso que eu te peço:
“arranja-me um emprego”.

Arranja-me um emprego,
pode ser na tua empresa,
com certeza,
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego.

Se meto os pés para dentro,
a partir de agora
eu meto-os para fora;
se dizia o que penso,
eu posso estar atento
e pensar para dentro;
se queres que seja duro,
muito bem, eu serei duro,
se queres que seja doce,
serei doce, ai isso juro.
Eu quero ser o tal,
e como tal reconhecido
e assim digo-te ao ouvido:
“arranja-me um emprego”.

Arranja-me um emprego...

Sabendo que as minhas intenções
são das mais sérias,
partamos para férias;
mas para ter férias
é preciso ter emprego,
espera aí que eu já lá chego.

Agora pensa numa casa
com o mar ali ao pé
e nós os dois
a brindarmos com rosé.
Esqueço-me de tudo
com o pôr-do-sol assim,
chega aqui ao pé de mim:
“arranja-me um emprego”.

Arranja-me um emprego...

Se eu mandasse neles
os teus trabalhadores
seriam uns amores:
greves eram só
das seis e meia às sete,
em frente a um cassetete;
primeiro de Maio
so de quinze em quinze anos;
feriado em Abril,
só no dia dos Enganos,
e reivindicações
quanto baste, ma non troppo.
Anda, bebe mais um copo:
“arranja-me um emprego”.

Arranja-me um emprego..







Dois 'Ais' de Dalton Trevisan



A tipinha de dois anos para a avó religiosa:
–Que livro bonito, vó. Acha pra mim a letra M.
–Deixa ver, aqui está.
–M de Maria. Que nem eu.
–Agora olha a letra V.
–V de vaca.
–E a letra O.
–O de ovo.
–Muito bem. E aqui a letra T.
–T de Jesús, né, vó?
E aponta para o pobre homem ali pregado na parede.


Notas
que nem eu = como eu.
né? = não é?




Os dois corações batendo só de um lado, não há o que nos separe.

Se o teu bater pra lá e o meu pra cá, daí tudo esta perdido.



Dalton Trevisan (Curitiba, 1925) é um escritor brasileiro, famoso por seus livros de contos.