Padre António Vieira (português europeu) ou Antônio Vieira (português brasileiro) (Lisboa, 1608 – Bahia, 1697) foi um religioso, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).
António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.
Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português. As universidades frequentemente exigem sua leitura.
Estátua de João Rodrigues, Amato Lusitano, no centro de Castelo Branco, no jardim baptizado com o seu nome. Algumas das plantas referidas nas sua terapêuticas foram plantadas nesse jardim.
Vejam a vida que levou esta grande figura da medicina nascida em Castelo Branco...
João Rodrigues (Castelo Branco, 1511-1568) vulgarmente conhecido como Amato Lusitano foi um notável médico português de religião judaica que viveu no Século XVI.
Amato Lusitano nasceu em Castelo Branco, Portugal, em 1511, de pais judeus. Estudou Medicina na Universidade de Salamanca, tendo regressado a Portugal em 1529. Por ser judeu, foi impedido de regressar a Portugal devido às perseguições da Inquisição, o que o levou a viajar para Antuérpia (1534), onde publicou o seu primeiro livro Index Dioscoridis (1536). É aí que adopta o nome de Amato Lusitano, com o qual passa a assinar as suas obras.
Viajou por toda a Europa até se estabelecer na cidade de Ferrara (1541) em Itália, onde foi Professor de Anatomia na Universidade e assistente do então famoso Cananus. Aí inicia a escrita da primeira Centúria que dedica a Cosme de Médici.
A instabilidade política e religiosa que então se vivia em Itália levou-o a Roma, onde foi médico do Papa Júlio III, Ancona (1547), Pesaro (1555), mas a intensificação da perseguição anti-semita — com a nomeação do Papa Paulo IV — forçaram-no a abandonar a Itália e buscar refúgio no Império Otomano. Primeiro em Ragusa, actual Dubrovnik, que na altura era uma República Independente e, depois, em Tessalónica, hoje Salónica, Grécia, cidade com grande população judaica; então parte do Império Otomano, onde escreveu a sua sétima e última Centúria, local onde pereceu, em 1569, com 57 anos, vitimado pela peste que tentou combater.
Amato Lusitano foi um poliglota. Dominava o latim, o grego, o hebraico, o árabe, o português, o castelhano, o francês, o italiano, o alemão e, presume-se, o inglês. Max Solomon, um seu biógrafo, considerou-o como «o Homem que representa a Medicina do século XVI, como erudito, anatomista e clínico». Era conhecido e respeitado, privando de perto com importantes personalidades do mundo ocidental.
Danielas Mercury e Carlinhos Brown, bem conhecido no nosso país por causa do disco de Os Tribalistas, cantam "Maimbê Dandá". Se alguém quiser saber a letra, faça um pequeno trabalho de pesquisa, por favor; eu não tenho tempo agora.
Bem, esta música da Daniel Mercury deveria ter vindo ao blogue na passada sexta-feira, meninos e meninas, não acham? Hoje é o último dia do Carnaval. Ai, que pena! Mas, não faz mal. A vida continua, como sempre...
E como achei outra canção da Daniela Mercury mais o Carlinhos Brown, que vocês conhecem, vai lá depois desta.
Fotografia de Laila Santana / Prefeitura de Olinda
As três fotografias de cima: Luíz Fabiano / Prefeitura de Olinda
Fotografia de Passarinho /Prefeitura de Olinda
Algumas imagens do Carnaval de Olinda deste ano, bem quentinhas, pois como devem saber, agora é verão no Brasil, que fica no Hemisfério Sul. Quem nos dera estar em Olinda!
Olinda é um município brasileiro do estado de Pernambuco, na Região Metropolitana do Recife, com 375 559 habitantes, sendo uma das mais bem preservadas cidades coloniais do Brasil. Foi a segunda cidade brasileira a ser declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO, em 1982.
A força do povo é o título desta fotografia tirada em Lisboa no dia 11 deste mês por Rui Palha. Tempos difíceis estes para muitos milhares de pessoas. Milhares? Milhões em toda a parte pela velha Europa. Muitos empregos e muitas vidas em perigo.
Um verdadeiro sucesso um pouco por onde passou, eis um filme em que a principal personagem não é uma pessoa. O verdadeiro protagonista é o lugar: Cidade de Deus é uma favela que surgiu nos anos 60, e que se tornou num dos lugares mais perigosos do Rio de Janeiro, no início dos anos 80. Conta actualmente com mais de 120 mil habitantes.
Ao mesmo tempo que acompanha o crescimento deste lugar, fixamo-nos com mais atenção em dois jovens, Buscapé e Dadinho. Enquanto o primeiro torna-se fotógrafo acidentalmente e assim consegue fugir ao mundo do crime, o segundo vem a ser um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro.
«A Cidade de Deus», o filme-sensação brasileiro de Fernando Meirelles e Kátia Lund, além de contar a génese, formação e estabelecimento daquela que é uma das mais perigosas favelas do Rio, contada através das vidas (algumas muito breves, porque interrompidas à bala) de um punhado dos seus moradores, é uma obra que vale por dez programas de televisão, 20 discursos de políticos e 30 teses sociológicas sobre a fatalidade da pobreza e as causas da criminalidade nos morros.
Nota. Favela: (Regionalismo: Brasil) Conjunto de habitações populares que utilizam materiais improvisados em sua construção tosca, e onde residem pessoas de baixa renda (Dicionário Houaiss).
Da trilha sonora do filme, vamos ouvir Seu Jorge cantar:
Convite para a vida
Sou morador da favela,
também sou filho de Deus;
não sou de chorar mazelas,
mas meu amor se perdeu.
Sou operário da vida,
da vida que Deus me deu:
mas se eu chego atrasado
o meu alguém já comeu.
Refrão:
João, José, Jesus, Mané,
Tião, Lelé, Xangô, Bené.
É a Cidade de Deus,
só que Deus esqueceu de olhar
a essa gente que não cansa de apanhar.
Não vem dizer que a situação é uma questão
de trabalhar,
que vai ter nego querendo te advogar.
O cantor portuense Sérgio Godinho já esteve aqui no blogue com várias canções, como Com um brilhozinho nos olhos ou Isto anda tudo ligado, em que era acompanhado por Gabriel o Pensador, um rapper brasileiro, e pelos Da Weasel, uma banda de hip hop portuguesa .
Naquela altura dissemos que Sérgio Godinho voltaria e cá esta. A música não é dele, mas de outro cantor português, Fausto. A letra é um poema intitulado "Namoro" do político e escritor angolano Viriato da Cruz, de quem damos alguns dados em baixo.
Vão ver duas versões: primeiro, numa cor diferente, a que é cantada; a outra, um bocado mais comprida, que não sei se se corresponde com a versão original do poema, e que encontrei na net.
NAMORO
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse, ela tinha
um sorriso luminoso tão triste e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas, na fímbria do mar.
Sua pele macia era sumaúma
sua pele macia, cheirando a rosas
seus seios laranja, laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou
“por ti sofre o meu coração”
num canto “sim”, noutro canto “não”
e ela o canto do “não” dobrou.
Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete
pedindo e rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Sta. Efigénia
me desse a ventura do seu namoro
e ela disse que não.
Mandei à Vó Xica, quimbanda de fama,
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço bem forte e seguro
e dele nascesse um amor como o meu
e o feitiço falhou.
Andei barbado, sujo e descalço
como um monangamba procuraram por mim,
não viu?, ai não viu?, não viu o Benjamim?
e perdido me deram no morro do Samba.
Para me distrair levaram-me ao baile
do Sr. Januário, mas ela lá estava
num canto a rir, contando o meu caso
às moças mais lindas do bairro operário.
Tocaram a rumba e dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu
e a malta gritou: “Aí Benjamim!”.
Olhei-a nos olhos, sorriu para mim
pedi-lhe um beijo, la la la la
e ela disse que sim
e ela disse que sim.
NAMORO
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando
de artista nas acácias floridas,
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas.
Sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seus seios, laranjas - laranjas do Loje
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe essa carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo, rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.
Levei à Avo Chica, quimbanda de fama,
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, á porta da fabrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.
Andei barbudo, sujo e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
"-Não viu...(ai, não viu...?) não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.
Para me distrair
levaram-me ao baile do Sô Januario
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso
as moças mais lindas do Bairro Operário.
Tocaram uma rumba - dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim !"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.
Viriato da Cruz, nasceu em Porto Amboim, Angola em 1928 e faleceu em Pequim, China em 1973.
Foi um dos mentores do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (1948) e da revista Mensagem (1951-1952).
Foi membro-fundador e secretário-geral do MPLA. Dissidente deste movimento, esteve exilado em Portugal e noutros países europeus, fixando-se posteriormente na China.
Teve grande importância no desenvolvimento da literatura angolana, caracterizando-se a sua obra pelo apego a certos valores africanos, quer quanto à temática, quer quanto à forma. A sua produção está dispersa por publicações periódicas e representada em várias antologias, das quais uma - No Reino de Caliban - reúne a sua obra poética.