Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

terça-feira, 15 de maio de 2012

2º dia da visita dos albicastrenses

 Parte dos alunos no Salón de Plenos da Câmara Municipal de Badajoz


O programa de atividades de hoje começou com uma aula na escola. Depois, havia uma receção dos alunos portugueses na Câmara Municipal às 10:30. O Presidente, Dr. Celdrán, deu-lhes as boas-vindas no salão onde se celebram os plenários e disse umas palavras acerca da vizinhança, não só geográfica, mas também humana entre a cidade de Badajoz e Portugal e os portugueses. Todos, alunos e professores receberam um completo e bonito presente da Câmara.

 O Presidente da Câmara a falar aos alunos albicastrenses

A seguir, visitamos a igreja da Conceição (Concepción), muito próxima. Admiraram todos a beleza da cúpula, e gostaram especialmente de uma coisa que gostariam de ver muitos moradores de Badajoz: as freiras permitiram que alunos e professores subissem até ao terraço que rodeia a cúpula e pudessem admirar as esplêndidas vistas daquelas alturas: a zona antiga da cidade, a Giraldilla, a Sé, a Ponte Real... e terra portuguesa ao fundo, Elvas!



 A Calle de San Juan vista da cúpula da Conceição


Ainda na cúpula. Lá ao fundo, terra portuguesa: Elvas

O simpático Francisco


Uma outra cúpula que nos permitiam ver


Uma vez acabada a visita à igreja, dirigimo-nos todos para o Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, MEIAC, onde os alunos portugueses souberam o que este museu foi antigamente, uma cadeia, que ficava na periferia de Badajoz, e comprovaram a grande mudança que a transformou. Teresa León, do Gabinete Didáctico do MEIAC, ofereceu uma visita guiada que fez mais interessante o fim do programa desta terça-feira. Entre os artistas extremenhos que os alunos puderam admirar estão Godofredo Ortega Muñoz, Timoteo Pérez Rubio ou Eduardo Naranjo.



 Perante o retrato que pintou Timoteo Pérez Rubio da sua mulher, a escritora Rosa Chacel




Perante algumas das famosas fotografias tiradas em Deleitosa por William E. Smith em 1952


Eugénio de Andrade, Nuno Júdice, Fernando Pessoa

Viva a poesia!


Estes foram os três poemas lidos ontem pelo professor de português na Biblioteca Ángel Campos Pámpano da nossa Escola quando recebemos os nossos amigos da EBI João Roiz de Castelo Branco. Uma aluna de 1º de Bachillerato leu as traduções para espanhol feitas por Ángel Campos.


Eugénio de Andrade

CADA COISA

Cada coisa tem o seu fulgor,
a sua música.
Na laranja madura canta o sol,
na neve o melro azul.
Não só as coisas,
os próprios animais
brilham de uma luz acariciada;
quando o inverno
se aproxima dos seus olhos
a transparência das estrelas
torna-se fonte da sua respiração.
Só isso faz
com que durem ainda.
Assim o coração.

Eugénio de Andrade


Nuno Júdice

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.

Nuno Júdice


Ricardo Reis


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa



1º dia da visita dos albicastrenses

Ángel Campos Pámpano

Por volta do meio-dia chegaram à nossa escola os alunos do intercambio da EBI João Roiz de Castelo Branco. Depois de uma visita ao Instituto guiada pelo Professor Isidro Palacios, o nosso Diretor, os alunos portugueses e as duas professoras, a Dra. Helena Almeida e a Dra. Susana Moleiro foram convidados a um lanche na nossa Biblioteca, que leva o nome de Ángel Campos Pámpano.




A seguir, Maria Centeno, aluna de português da turma de 1º A, interpretou uma peça anónima do século XVIII, uma mazurka intitulada "Mi favorita".



Depois vimos dois breves vídeos: um que fazia um resumo de quem é que somos nós, os espanhóis, com paisagens e monumentos de todo o país, e alguns nomes de desportistas conhecidos internacionalmente. O protagonista do outro vídeo foi Ángel Campos Pámpano, professor, poeta e tradutor de português, que esteve vários anos na nossa Escola e faleceu prematuramente há quatro anos. Ouvimo-lo declamar uns versos na Aula Díez-Canedo e a seguir, enquanto no ecrã se viam sobre um fundo musical fotografias dele com outros poetas, imagens dos seus livros... , a Dra. Alejandrina Merino, colega de Ángel Campos nesta Escola, falou sobre a vida dele e mostrou aos alunos e professoras portugueses a estante onde se encontram vários libros de Ángel Campos, originais e traduções, assim como assim como os exemplares da revista por ele fundada, Espacio / Espaço Escrito, revista literária em duas línguas.

Para terminar, o professor de português leu três poemas: um de Eugénio de Andrade, outro de Nuno Júdice e mais um do heterónimo pessoano Ricardo Reis. A aluna de 1º de Bachillerato, Laura Andrino, leu as versões que escreveu Campos na nossa língua. Estes poemas serão publicados noutra mensagem do blog, mas apenas em português.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Bienvenidos, Bem-vindos!



Damos as boas-vindas aos nossos amigos da EBI João Roiz de Castelo Branco.

Devolvem-nos a visita que nós fizemos a essa cidade nos passados dias 16 a 20 de abril.

Também será publicado aqui um resumo das atividades realizadas nesta semana.


Em baixo, um símbolo da cidade de Badajoz, a Torre de Espantaperros, na Alcáçova, dá-lhes também as boas-vindas.




sexta-feira, 11 de maio de 2012

Chegam os amigos de Castelo Branco!


Os nossos amigos da EBI João Roiz de Castelo Branco chegam na próxima segunda-feira, dia 14 de maio, por volta do meio-dia. Já prepararam tudo?



quinta-feira, 10 de maio de 2012

De alegria raiou o dia (Seu Jorge)



O cantor brasileiro Seu Jorge volta ao blogue com De alegria raiou o dia. Reparem no ritmo!


DE ALEGRIA RAIOU O DIA

Senhoras e senhores, samba esporte fino apresenta para vocês, Carlos Dafé.
Até surgir a madrugada
Vou venerar a minha amada
Trocar o pranto pelo canto
E uma vontade imensa
De se encher de amor
Beijos e abraços seja aonde for
Seja
Tenha paciência tanta penitência
Eu não posso mais viver assim
Tenha paciência
Seja mais amiga
Vou te venerar até o fim
Na madrugada
Oh minha amada
De alegria
Raiou o dia
A alegria de nascer
Alegria de cantar
Alegria de viver
Alegria de amar
Em paz
De amar em paz

Seu Jorge








terça-feira, 8 de maio de 2012

Três fotografias da visita a Castelo Branco


Uma das mesas do atélier do Museu Cargaleiro em que alunos portugueses e espanhóis pintaram um azulejo que receberiam, já seco, como lembrança no dia seguinte.



Alunos portugueses e espanhóis à frente da antiga Biblioteca Municipal. Agora existe no centro da cidade uma moderna Biblioteca. Cliquem na imagem para a verem maior!



Pelas ruas de Castelo Branco na tarde da quinta-feira, 19 de abril.


(Fotografias da professora Susana Moleiro)


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Letreiro anterior à reforma ortográfica de 1911


Para que vejam que isto de reformar a ortografia da língua portuguesa não é uma coisa nova, reparem neste letreiro na parede da Igreja do Carmo, Porto, anterior à reforma ortográfica de 1911 (Fotografia de Manuel de Sousa)

Comparem o que lá está escrito com como é que se escreveria hoje:

É PROIBIDO
COLOCAR
CARTAZES E ANÚNCIOS
EM TODO
O EDIFÍCIO DESTA ORDEM


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Esqueci-me do Dia das Mentiras!


Eu sei, eu sei... O 1º de abril foi há um mês. Ontem foi 1º de maio, mas lembrei-me hoje disto na sala de aula, e não faz mal: na aula de amanhã tratamos o tema, e mais uma data com este mês de abril: o que é isso do 25 de Abril?, por exemplo.

Podem clicar neste link do vosso blogue: "1º de abril, Dia das Mentiras". Até há música: uma canção de Sérgio Godinho em que aparece o Dia dos Enganos, outro nome para o 1º de abril, data em que é habitual pregar partidas. Essa canção humorísitica tem muitos anos, mas hoje é de uma triste atualidade nestes dias tão difíceis...




terça-feira, 1 de maio de 2012

Resumo da nossa visita a Castelo Branco (16 a 20 de abril)

 Um dos pavilhões da EBI João Roiz de Castelo Branco


Segunda-feira - dia 16 

Castelo Branco fica a 170 km de Badajoz. Chegámos por volta das 11:30, bom, das 10:30 (hora portuguesa). Antes de entrarmos na Escola João Roiz fomos até à nova Biblioteca Municipal (vale a pena dar uma olhadela ao link, e não podemos deixar de lamentar que a nova biblioteca de Badajoz permaneça por inaugurar...).

Durante uns momentos, os alunos voltaram à infância: uma contadora de histórias leu-lhes um breve conto e ofereceu a todos um marcador de livros. No fim da visita tivemos um lanche. Perante a  ausência do Presidente da Câmara, uma vereadora ("una concejal") e o Diretor da escola deram-nos as boas-vindas à cidade, no Auditório da Biblioteca. Foi já na escola que os nossos alunos se encontraram mais tarde com os seus parceiros. 




Depois do almoço visitamos o Centro de Interpretação Ambiental. No CIA funcionam os serviços do Parque Natural do Tejo Internacional (PNTI) e está patente uma exposição temática constituída por 14 equipamentos de exploração interativa, nos quais se aborda o património natural do Tejo Internacional.




De manhã, os alunos espanhóis assistiram às aulas com os parceiros. À tarde fizemos uma excursão a Monsanto, uma aldeia histórica de Portugal construída num morro granítico a oitocentos metros de altitude, um belo conjunto arquitetónico no qual se destacam algumas casas senhoriais brasonadas e templos, como as ruínas da Capela de São Miguel em estilo românico. Subimos e subimos, até chegar ao castelo, no cimo da aldeia, de onde pudemos admirar deslumbrantes vistas. 






Quarta-feira - dia 18

De manhã, os alunos assistiram a algumas aulas e depois foram espetadores de uma peça de teatro de um autor português, Gil Vicente (c.1465-c.1536), que também pertence à literatura castelhana por ter escrito teatro e poesia na nossa língua. A peça, intitulada Pranto de Maria Parda trata as dificuldades com que esta personagem, uma velha mulata, se depara na vida. Apesar do tempo decorrido desde a altura em que a peça foi escrita, não podemos deixar de pensar nos dias de hoje. O desempenho da atriz, Mª da Luz Lopes, neste difícil monólogo, foi notável. Se calhar, os alunos perderam parte do conteúdo pela língua, mas acho que foi uma boa experiência para todos eles. Assistir a uma peça de teatro tem sempre qualquer coisa de magia.



À tarde, os alunos assistiram aos diferentes clubes da Escola e tiveram uma aula de dança com a professora Ivone. Todos aqueles que quiseram, dançaram à mistura com alunos portugueses, e divertiram-se imenso. Não foi assim?




Num canto do recinto havia 10 ou 12 mesas de ténis de mesa rebatíveis, com rodas, e num ápice oito delas foram retiradas para os alunos jogarem. Aqui vemos como é que começaram a colocar as mesas.





Às 21 horas começou um Serão cultural: canções em inglês e em francês, poemas declamados em inglês, português e espanhol. A maioria dos protagonistas foram alunos da EBI João Roiz, mas também professores  e os professores Luz e Pedro, que declamaram autores espanhóis. Entre a assistência, alunos, pais e irmãos. Todos desfrutámos desse bom serão. Houve também oportunidade para tomar um chazinho e uns doces excelentes: uns bolos chamados borrachões e umas broas de mel.




Quinta-feira - dia 19

Depois de assistirem a algumas aulas, os alunos portugueses e espanhóis visitaram o Museu Cargaleiro, dedicado ao pintor e ceramista português Manuel Cargaleiro, que nasceu no concelho de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco. Por serem muitos, os alunos foram divididos em dois grupos para a visita guiada aos dois edifícios do museu. 

Painel de azulejos no metro de Paris Champs Elysées-Clemenceau - Obra de Manuel Cargaleiro




À tarde, seguimos com as atividades programadas pelos nossos amigos portugueses: um bom passeio pela zona histórica da cidade. Uma boa caminhada, sim senhor, a subir ruas até ao castelo e depois a descer até acabar no belo Jardim do Paço (vale a pena ver as numerosas fotografias deste link da Wikipédia Commons).

Tantas estátuas, de reis portugueses, dos meses e estações do ano, das virtudes... e de três reis espanhóis que foram também reis de Portugal: Felipe II, III e IV (conhecidos em Portugal como os Filipes: Filipe I, Filipe II e Filipe III respetivamente, por não ter havido antes deles nenhum monarca português chamado Filipe). Uma nota engraçada: as estátuas destes “reis castelhanos” são mais pequeninas do que as outras.


O nosso Felipe II (1527-1598), D. Filipe I, o Prudente,
para os portugueses, ao pé de D. João II, o Príncipe Perfeito (1455-1495)


Sexta-feira - dia 20

Último dia. Últimas aulas e o regresso a Badajoz pouco depois do almoço. Ai, a despedida dos alunos, alguns deles tão tristes por se separarem!


Em grandes traços, estes foram os nossos cinco dias em Castelo Branco. O que dizer do convívio entre os nossos alunos e os seus parceiros portugueses? Isso devem ser eles a contar. Do ponto de vista dos professores que acompanharam os alunos, a experiência foi muito positiva, quer para uns quer para outros.

Os Professores Luz e Pedro querem agradecer o trabalho e a atenção das Professoras de espanhol, as Dras. Helena Almeida e Susana Moleiro, assim como do Diretor, o Dr. Carlos Almeida. Também não quero esquecer-me da Dra. Sandra Mesquita,  e de todos aqueles que contribuiram com o seu trabalho para o sucesso deste intercâmbio escolar, feito graças ao Proyecto REALCE (que pena não termos podido dispor de mais fundos, não é verdade?)




Até à vista no dia 14 de maio em Badajoz!



(Serão publicadas mais fotografias dos alunos em Castelo Branco)