Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

30º aniversário da morte de José Afonso no dia 23 de fevereiro

José Afonso fotografado por Rui Ochôa


Informação publicada no semanário Expresso no passado dia 18 de janeiro. No próximo dia 23, cumprem-se 30 anos da morte do grande cantor José Afonso, Zeca Afonso como era conhecido carinhosamente.


“Insisto não ser tristeza” é lema de comemorações dos 30 anos da morte de Zeca Afonso 

Lisboa, Setúbal, Braga, Faro, Santiago do Cacém, Santo André, Aveiro, Seixal, Almada, Évora, Santarém, Agualva-Cacém, Abrantes e Bruxelas são os locais onde irão decorrer as iniciativas. Para já, não está programado nenhum grande espetáculo em Lisboa

Concertos, exposições e outras criações sob o lema "Insisto não ser tristeza" assinalam, um pouco por todo o país, as comemorações dos 30 anos da Associação José Afonso e do cantautor que lhe deu nome, foi esta quarta-feira anunciado.

"Insisto não ser tristeza" - um verso de José Afonso - é o mote das comemorações, disse Francisco Fanhais, presidente da associação, acrescentando que estas visam igualmente "não fazer perder a memória do Zeca no coração das pessoas".

"A ideia é celebrar os 30 anos da associação e evocarmos o legado que o Zeca nos deixou, que não está morto, mas que devemos perpetuar para as gerações que nos seguirem, porque se não o fizermos não cumpriremos a nossa função", sublinhou Francisco Fanhais.

Lisboa, Setúbal, Braga, Faro, Santiago do Cacém, Santo André, Aveiro, Seixal, Almada, Évora, Santarém, Agualva-Cacém, Abrantes e Bruxelas são os locais onde irão decorrer as iniciativas, entre as quais está previsto um concerto com o cantor Patxi Andión, em junho, em Évora.

Um concerto intitulado "30 anos", com Francisco Fanhais e Pedro Fragoso, a 04 de fevereiro, na Casa da Cultura de Setúbal, é o primeiro de vários que reunirá, entre outros, Fanhais, um dos companheiros de sempre de Zeca, e Rui Pato, que aos 16 anos começou a acompanhar Zeca Afonso em Coimbra.

(...)

(Artigo completo)

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Este é o poema de José Afonso de onde foi tirado o verso:


Insisto não ser tristeza
Soluçar sobre uma mesa

E mais não ser deste mundo
Meter navios no fundo

Num caminho de esqueletos
Sempre se plantam gravetos

E se a velhice for tua
Senta-a no meio da rua



Embora seja publicada música de José Afonso na próxima sexta-feira, hoje vamos ter música dele também:


VEJAM BEM

Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar

Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

E se houver
uma praça de gente madura
e uma estátua
e uma estátua de febre a arder

Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer
e não há quem lhe queira valer

Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão
desbravando os caminhos do pão

E se houver
uma praça de gente madura
ninguém vai
ninguém vai levantá-lo do chão